O Dia do Árbitro, celebrado em 11 de setembro, reverencia os profissionais que carregam a responsabilidade de conduzir jogos, desde os amistosos até as decisões do Campeonato Brasileiro. No entanto, a realidade no Pará revela um cenário desafiador, onde o reconhecimento, especialmente o financeiro, ainda é uma miragem para muitos.
Grande parte dos árbitros paraenses enfrenta a necessidade de conciliar a paixão pelo esporte com outras atividades para garantir o sustento. A profissão, que ainda carece de regulamentação, exige uma verdadeira vida dupla. Para entender essa dinâmica, a equipe de reportagem conversou com Ricardo Brito, árbitro da Federação de Futsal do Pará (FEFUSPA) e professor de educação física.
Ricardo Brito, 30 anos, encontrou na arbitragem uma forma de se manter ligado ao esporte após um acidente que o afastou das quadras como jogador. “Sofri um acidente e precisei passar por uma cirurgia de reconstrução facial”, relembra. A experiência o motivou a buscar um curso de arbitragem e, assim, transformar a paixão em profissão.
Atualmente, Ricardo divide seu tempo entre as aulas de educação física e a arbitragem, encarando o desafio de equilibrar as demandas físicas e mentais de ambas as atividades. Ele destaca que a exaustão mental é o principal obstáculo, afetando seu desempenho e, por vezes, suas decisões nos jogos.
“O maior desafio é manter uma boa saúde mental”, afirma Ricardo, ressaltando a importância de cuidar do bem-estar para garantir uma arbitragem justa e precisa. A organização do tempo, o estudo constante das regras e o equilíbrio entre trabalho, família e esporte são elementos cruciais para o sucesso na carreira.
Para o futuro, Ricardo almeja ascender ao quadro da Confederação Brasileira de Futsal (CBFS), buscando atuar nas principais competições do país. A busca por profissionalização e reconhecimento é um objetivo compartilhado por muitos árbitros no estado.
A Federação de Futsal do Pará (FEFUSPA) e a Federação Paraense de Futebol (FPF) oferecem cursos de formação para árbitros, buscando capacitar e profissionalizar os profissionais. Reginaldo Guedes, diretor de arbitragem da FEFUSPA, detalha o processo de capacitação, que inclui cursos, estágios práticos e avaliações constantes.
Fernando Castro, presidente da Comissão de Arbitragem da FPF, destaca a importância da preparação física e técnica nos cursos de formação. “O curso conta com 240 horas/aula, o que equivale a cerca de seis meses de treinamento”, explica. A FPF também oferece treinamento em VAR, preparando os árbitros para as novas tecnologias do futebol.
Embora a remuneração varie conforme a categoria e a federação, os valores ainda são considerados baixos, especialmente no início da carreira. A falta de respeito e conhecimento das regras por parte de atletas e comissões técnicas também representam desafios para a arbitragem no Pará, como ressalta Reginaldo Guedes.
Fonte: http://www.oliberal.com










