A melatonina não é a solução para insônia, e seu uso irregular pode prejudicar o sono

Melatonina: O que você precisa saber antes de usar
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melatonina é um hormônio que o corpo produz naturalmente e que se popularizou como suplemento para auxiliar no sono. No entanto, especialistas em sono alertam que sua utilização não é uma solução mágica para a insônia. Ao contrário do que muitos pensam, a melatonina não age como um hipnótico que simplesmente “desliga” o cérebro. Em vez disso, sua principal função é regular o ritmo biológico do corpo, sinalizando o início da noite e preparando o organismo para o sono.
O papel da melatonina no sono
A produção de melatonina ocorre naturalmente em resposta à diminuição da luz. Segundo Pedro Genta, pneumologista do InCor e especialista em medicina do sono, o hormônio ajuda a sincronizar o ritmo circadiano, mas sua suplementação não é indicada para o tratamento de insônia. A insônia, que pode se manifestar como dificuldade para iniciar ou manter o sono, não é solucionada apenas com a ingestão desse hormônio. Na verdade, a melatonina é ineficaz em melhorar a qualidade do sono ou em prolongá-lo.
Uso irregular da melatonina e seus efeitos
A utilização da melatonina em horários inconsistentes pode ter efeitos prejudiciais ao organismo. Como explica Dalva Poyares, neurologista e pesquisadora do Instituto do Sono, a variação nos horários de ingestão do suplemento pode desregular o ciclo biológico natural do corpo. Por exemplo, tomar a melatonina às 21h num dia e às 1h da manhã no outro pode confundir o organismo, que precisa de regularidade para funcionar adequadamente.
Quando a melatonina pode ser útil
Embora não seja recomendada para a insônia comum, a melatonina pode ser indicada em situações específicas. Entre as condições onde seu uso é mais estudado estão:
- Jet lag: Ajuda o corpo a se adaptar a novos fusos horários durante viagens.
- Transtornos de ritmo circadiano: Como adolescentes que têm dificuldade em dormir cedo ou idosos que acordam muito cedo.
- Pessoas cegas: Que não têm percepção de luz e precisam regular o ciclo de sono e vigília.
- Transtorno do Espectro Autista (TEA): Pode auxiliar na regulação do sono e melhorar comportamentos em alguns casos.
- Transtorno Comportamental do Sono REM: Onde o indivíduo se movimenta durante o sono, encenando seus sonhos.
Essas condições são diagnosticadas e distintas da simples queixa de “não consigo dormir”.
Riscos associados ao uso da melatonina
Um estudo recente levantou preocupações sobre a segurança do uso da melatonina, associando-a a um risco aumentado de insuficiência cardíaca, hospitalização e morte em pessoas com insônia crônica. Embora não tenha comprovado uma relação de causa e efeito, o estudo recomenda cautela no uso do suplemento.
Tratamento comportamental para insônia
Para aqueles que buscam uma solução para insônia crônica, os especialistas recomendam a Terapia Cognitivo-Comportamental para Insônia (TCC-I) como abordagem padrão. Esta terapia inclui técnicas como limitar o tempo que a pessoa passa deitada sem dormir e manter horários consistentes para deitar e acordar, o que é fundamental para regular o ciclo de sono. Expor-se à luz natural pela manhã e reduzir a intensidade das luzes à noite também são práticas benéficas.
Considerações finais sobre a melatonina
A mensagem que os especialistas deixam é de cautela. A melatonina é um hormônio potente e, embora sua automedicação possa parecer uma solução fácil, é importante discutir seu uso a longo prazo com um profissional de saúde. Não se deve parar de tomá-la abruptamente, mas é relevante reavaliar a necessidade de continuidade do tratamento. Investir em uma rotina de sono saudável é a chave para uma boa qualidade de sono, algo que nenhum suplemento pode substituir.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
Fonte: Catarina Pignato










