Produtora francesa que vive em Recife destaca desafios e avanços do audiovisual nacional em campanha ao Oscar 2026

Emilie Lesclaux, produtora de O Agente Secreto, destaca desafios do cinema brasileiro em sua trajetória entre França e Brasil.
A trajetória de Emilie Lesclaux e seu impacto no cinema brasileiro
Emilie Lesclaux tem marcado presença significativa no cenário do cinema brasileiro com a produção de “O Agente Secreto”, filme indicado a quatro categorias no Oscar 2026. Desde sua estreia no Festival de Cannes, em maio do ano passado, Lesclaux vem dividindo seu tempo entre Los Angeles, Londres e Recife, onde reside com o cineasta Kleber Mendonça Filho e seus filhos gêmeos. O compromisso intenso com a divulgação do longa revela seu papel central na campanha à premiação, refletindo sua influência crescente no audiovisual nacional.
Nascida em Bordéus, França, Emilie abandonou inicialmente a ideia de seguir carreira no cinema para se dedicar a ciências políticas. Sua mudança para o Recife, motivada por um emprego no consulado francês, foi decisiva para sua inserção no cinema brasileiro. Foi no Brasil que conheceu Kleber Mendonça Filho, com quem fundou a produtora Cinemascópio, e passou a produzir todos os seus longas, como “O Som ao Redor”, “Aquarius” e “Bacurau”, consolidando-se como uma das principais produtoras nacionais.
O desafio da produção audiovisual no Brasil e o papel de Emilie Lesclaux
A experiência de Emilie Lesclaux evidencia as dificuldades enfrentadas pelo cinema brasileiro, especialmente em tempos recentes. Entre 2018 e 2022, cortes de verbas e o fim do Ministério da Cultura criaram um cenário adverso para produções como “O Agente Secreto”, que precisou buscar financiamentos internacionais para se concretizar. A produtora reforça a importância das políticas públicas e da regulamentação do streaming para fortalecer o setor audiovisual, apontando que o futuro criativo é promissor, mas depende de apoio estrutural.
Lesclaux também destaca a diversidade e o crescimento dos polos regionais, no caso do Recife, que ainda enfrentava a carência de escolas de cinema e infraestrutura audiovisual nos anos 2000. Sua trajetória acompanha o amadurecimento dessa cena, que passou a receber maior atenção e incentivos ao longo dos anos, contribuindo para a descentralização da produção nacional.
O perfil discreto de Emilie Lesclaux em meio ao estrelato cinematográfico
Apesar da exposição em eventos internacionais como o Critics Choice Awards e o Globo de Ouro, Emilie Lesclaux mantém um perfil reservado, preferindo atuar nos bastidores e preservar a privacidade da família. Diferente de seu parceiro Kleber Mendonça Filho, que é ativo nas redes sociais e concedeu diversas entrevistas, ela mantém suas redes fechadas e concede menos entrevistas, concentrando-se no trabalho produtivo.
Esse equilíbrio entre vida pessoal e profissional reflete a visão de Lesclaux sobre seu papel na indústria: uma produtora focada na construção e na sustentação de projetos audiovisuais relevantes, mais do que na busca por holofotes.
A influência cultural francesa na formação de Emilie Lesclaux e seu olhar para o audiovisual
A ligação de Lesclaux com a França, berço da cinematografia mundial, marca sua visão sobre a produção audiovisual. Ela ressalta a relevância da tradição cinematográfica francesa, onde o ato de ir ao cinema é incentivado desde a infância e faz parte do currículo escolar, em contraste com a realidade brasileira, ainda em processo de consolidação institucional.
Além da herança cultural, a mãe argentina de Lesclaux foi fundamental na formação de seu gosto e conhecimento de cinema, acompanhando a filha em festivais e sessões desde a infância. Essa bagagem multicultural enriquece sua atuação, trazendo um olhar internacional que beneficia a narrativa e a produção de obras brasileiras reconhecidas mundialmente.
O papel de “O Agente Secreto” na consolidação do cinema nacional no cenário internacional
“O Agente Secreto” não só representa a continuidade da parceria entre Emilie Lesclaux e Kleber Mendonça Filho, como também simboliza a resiliência do cinema brasileiro diante de adversidades financeiras e políticas. Após um hiato desde “Central do Brasil” em 1999, o filme retoma a presença nacional entre os indicados ao Oscar de melhor filme internacional, evidenciando a maturidade e a qualidade das produções brasileiras contemporâneas.
A capacidade de Lesclaux em articular recursos nacionais e internacionais e sua visão estratégica para o desenvolvimento do cinema regional mostram-se fundamentais para que o Brasil continue ganhando espaço nas principais premiações do mundo, fortalecendo a indústria e ampliando o reconhecimento cultural do país.
Fonte: www1.folha.uol.com.br





