Na busca incessante por otimizar a produção, a pecuária brasileira já consagrou a seleção de touros melhoradores com foco em características como precocidade e ganho de peso. No entanto, um fator crucial para a rentabilidade e a sustentabilidade ainda carece da devida atenção: a eficiência alimentar, que mede a capacidade do animal em converter alimento em produtividade.
Em termos simples, a eficiência alimentar representa a relação entre o consumo de alimento e o resultado produtivo, seja no ganho de peso em bovinos de corte ou na produção de leite. Animais geneticamente eficientes consomem menos alimento para produzir mais, gerando um impacto direto na lucratividade da fazenda. “Menos custos com alimentação, mais lucro no rebanho”, resume Carina Ubirajara, doutora em Ciência Animal da UFU.
Estudos da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) comprovam que touros com DEPs (Diferenças Esperadas na Progênie) negativas para eficiência alimentar geram crias mais eficientes, resultando em um retorno financeiro consistente, especialmente a longo prazo. Essa otimização se traduz em uma redução significativa nos custos de produção.
A pesquisa da UFU aponta que animais mais eficientes podem consumir até 31,8% menos alimento durante o período de confinamento, representando uma economia substancial nos gastos com nutrição. Além disso, essa característica se estende ao gado criado a pasto, permitindo aumentar a produtividade por hectare e otimizar o uso dos recursos.
Considerando que os gastos com alimentação representam uma parcela considerável dos custos totais da criação, a economia proporcionada pela eficiência alimentar se torna ainda mais crucial para a viabilidade econômica da atividade. Apesar dos benefícios evidentes, a adoção em larga escala ainda enfrenta desafios.
Apesar disso, a eficiência alimentar ainda não é amplamente utilizada como critério de seleção. A pesquisadora Carina Ubirajara, da UFU, enfatiza que “a eficiência alimentar é a cereja do bolo do melhoramento genético para uma produção lucrativa”. Sua adoção, contudo, é recente: as primeiras coletas de dados para avaliação genética datam de 2010, e o primeiro sumário de touros (multi-rebanhos) foi publicado em 2017.
O avanço da mensuração da eficiência alimentar, impulsionado por cochos eletrônicos e análises precisas do consumo individual, possibilita a seleção efetiva dos animais mais eficientes. Nesse contexto, a Associação Brasileira de Inseminação Artificial (Asbia) desempenha um papel fundamental, incentivando investimentos em genética e inseminação artificial para disseminar a eficiência alimentar nos rebanhos.
Olhar para o futuro da pecuária exige foco em produtividade e sustentabilidade. Países como a Austrália já priorizam a eficiência alimentar para garantir competitividade e reduzir o impacto ambiental. O Brasil, líder mundial no setor, deve seguir o mesmo caminho, investindo em genética eficiente para assegurar um futuro próspero e sustentável para a pecuária.










