A busca por uma criação de filhos mais leve e significativa tem levado muitos pais a explorarem novas abordagens. Uma delas é a Educação Positiva, um modelo que prioriza o afeto, o respeito e a construção de vínculos seguros na infância. Conversamos com a educadora Priscilla Montes, especialista em infância e adolescência, para entender melhor essa perspectiva.
Segundo Priscilla Montes, a Educação Positiva une ciência, respeito e vínculos afetivos seguros. Ela parte do princípio de que a criança aprende melhor em ambientes onde há afeto, escuta ativa, empatia e limites claros. Essa abordagem não significa ausência de disciplina, mas sim a substituição de práticas punitivas por outras que promovem autonomia e autorregulação emocional.
A especialista enfatiza que a Educação Positiva não é permissividade, mas sim uma preparação para a vida com segurança emocional. Na prática, ela se manifesta pela substituição de castigos, chantagens e ameaças por diálogos que acolhem as emoções. “É necessário ter em mente que se trata de relações entre seres humanos e, portanto, é uma construção dia após dia”, explica Priscilla.
A Educação Positiva transforma o erro em oportunidade de aprendizado, estabelecendo limites claros com escuta e explicação. Ela valoriza o processo da criança, abrindo espaço para o erro e construindo parcerias nas soluções. Ao focar nas habilidades socioemocionais, a criança aprende sobre responsabilidade com respeito e desenvolve a capacidade de tomar decisões conscientes na vida adulta.
De acordo com Priscilla Montes, a Educação Positiva cria um ambiente seguro para que os estímulos façam efeito. “Estímulos sem vínculo podem gerar ansiedade, falta de confiança e baixa autoestima; já o vínculo sem estímulos pode limitar o potencial”, afirma. A combinação de ambos motiva a criança a explorar o mundo, errar, tentar novamente e aprender.
Brincar é fundamental nesse processo, sendo a linguagem natural da infância, como destaca Priscilla Montes. “É na brincadeira que a criança estimula a criatividade, a socialização e a exploração do mundo”, explica. A neurociência comprova que, durante o brincar, áreas do cérebro como o hipocampo e o córtex pré-frontal trabalham de forma integrada.
Embora existam diferenças nos estímulos adequados entre as faixas etárias de 0 a 3 anos e de 4 a 6 anos, é crucial lembrar que cada criança é única. Dos 0 aos 3 anos, o foco está nos estímulos sensoriais e motores, bem como em um vínculo emocional forte. Já dos 4 aos 6 anos, as brincadeiras de faz de conta e os jogos com regras simples são essenciais.
Para identificar se a criança está sendo pouco ou excessivamente estimulada, é importante observar os sinais. Apatia, desinteresse e atraso no desenvolvimento podem indicar falta de estímulo. Irritabilidade, dificuldade de concentração e ansiedade podem apontar para o excesso. É fundamental que o cérebro infantil tenha pausas para consolidar os aprendizados.
Priscilla Montes oferece um conselho prático aos pais: foquem na qualidade da interação, não na quantidade de brinquedos. Contar histórias, cantar, brincar de esconde-esconde, cozinhar juntos e conversar durante uma caminhada são exemplos de estímulos valiosos. “A criança não precisa de excesso de coisas, mas de excesso de presença”, conclui a especialista.
Fonte: http://odia.ig.com.br










