Deputado confirma participação em debates que antecederam a taxação de 50% contra o Brasil
O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL‑SP) admitiu nesta segunda-feira (21/7) que discutiu a possibilidade de tarifas comerciais dos Estados Unidos contra o Brasil em reuniões com integrantes do governo Donald Trump, antes da aplicação da taxa de 50% sobre exportações brasileiras. A declaração, feita ao lado do jornalista Paulo Figueiredo, contradiz a versão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que havia negado envolvimento com a medida.

Durante entrevista ao podcast “Inteligência Ltda.”, Figueiredo revelou: “Quando essa opção foi discutida com o deputado Eduardo Bolsonaro e nós, nós demos a nossa opinião. Na nossa opinião, esta medida não era a melhor a ser aplicada naquele momento. Nós advogamos na direção de sanções direcionadas aos agentes principais da ditadura”.
Mudança de posição sobre as tarifas
Segundo Eduardo Bolsonaro, as reuniões tinham como objetivo apresentar sugestões ao governo Trump, mas a decisão final cabia ao presidente norte-americano. “A gente não imaginou que no início fosse decretada a tarifa. Mas como o Paulo bem falou, nós não somos o presidente dos Estados Unidos. Não temos o poder da caneta”, disse o parlamentar.
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Figueiredo, que inicialmente se posicionou contra a taxação, afirmou que hoje considera a decisão correta: “Estou 100% convencido de que as tarifas foram o movimento certo para o Brasil”. Eduardo concordou e apelidou a medida de “Tarifa-Moraes”, associando a sanção à crise institucional que, segundo ele, teria sido agravada por decisões do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Liberdade de expressão no centro do discurso
O deputado defendeu a aplicação da tarifa como uma resposta política à situação brasileira. Ele exemplificou: “Quando ele quiser reclamar, talvez ele vá ser calado. Antes de qualquer tipo de questão comercial, vem a liberdade. Se não puder falar, dar a sua opinião, você vai ser um escravo, um cubano. Queremos preservar as liberdades da nossa democracia”.
Para Eduardo, as tarifas são um efeito direto das medidas judiciais de Moraes, que incluem restrições a Jair Bolsonaro, uso de tornozeleira eletrônica e proibição do ex-presidente de se comunicar com aliados ou de usar redes sociais, inclusive por intermédio de terceiros.
Contexto: tarifas ligadas à crise diplomática
As declarações ocorrem em meio a uma crise comercial e diplomática entre Brasil e Estados Unidos. Em 9 de julho, Donald Trump anunciou tarifas de 50% sobre produtos brasileiros, justificando a decisão como reação a uma “perseguição política” contra Jair Bolsonaro no Brasil.
Investigação conduzida pelo STF apura se Eduardo Bolsonaro articulou, nos Estados Unidos, medidas para pressionar autoridades brasileiras, chegando a solicitar sanções diretas contra Moraes. A Procuradoria-Geral da República e a Polícia Federal apontam que o ex-presidente enviou R$ 2 milhões ao filho, arrecadados via Pix, para financiar atividades nos EUA.
Além da investigação sobre Eduardo, Jair Bolsonaro enfrenta medidas restritivas, incluindo uso de tornozeleira eletrônica, limitações de deslocamento e proibição de contato com investigados. Moraes sustenta que as cautelares são necessárias para impedir obstrução da Justiça e proteger a soberania nacional.
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