Ministro e presidente do BC buscam proposta que equilibre maior liberdade orçamentária e controle da União

Durigan e Galipolo articulam novo texto para PEC que trata da autonomia financeira do Banco Central, buscando equilíbrio entre independência e controle da União.
Durigan e Galipolo articulam novo texto para autonomia financeira do Banco Central
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, e o presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galipolo, preparam um novo texto para a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que trata da autonomia financeira do Banco Central, buscando uma alternativa ao projeto que enfrenta resistências dentro do governo Lula e da bancada do PT. A proposta original, relatada pelo senador Plínio Valério (PSDB-AM), sugere transformar o BC em “entidade pública de natureza especial”, ampliando sua autonomia administrativa, orçamentária e financeira. Contudo, integrantes do governo avaliam que a medida concede independência excessiva à autarquia.
Contexto político e resistência interna ao texto da PEC em discussão
A atual PEC em discussão no Senado tem sido vista como uma bandeira política do PT, o que tem gerado debates e cautela na elaboração da versão final. O projeto prevê um grau elevado de autonomia para o BC, incluindo independência para decisões administrativas e financeiras, o que provoca preocupação por parte de setores do governo que preferem uma proposta mais moderada. A resistência interna motiva Durigan e Galipolo a buscar um texto que amplie a autonomia financeira da instituição, mas sem abrir mão do controle da União em questões sensíveis como concursos públicos e remuneração dos servidores.
Implicações da autonomia financeira para o fortalecimento do Banco Central
O Banco Central enfrenta atualmente um estrangulamento financeiro que impacta diretamente sua capacidade de fiscalização e operação de sistemas essenciais como o Pix. Em audiência recente no Senado, Galipolo destacou a urgência de assegurar recursos suficientes para o BC manter e ampliar sua atuação. A nova proposta pretende reforçar o orçamento do BC, garantindo maior liberdade para custear suas funções essenciais, especialmente a supervisão do sistema financeiro e a operação do sistema de pagamentos instantâneos.
Caminho legislativo e prazo para votação da PEC na Comissão de Constituição e Justiça
A votação da PEC na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) foi adiada após pedido de vista coletivo. O presidente da CCJ, Otto Alencar (PSD-BA), indicou a intenção de pautar a proposta após o feriado de Corpus Christi, condicionando a inclusão à existência de um entendimento entre o governo, o relator e a direção do Banco Central. Esse adiamento reflete a necessidade de alinhamento político e técnico para que o texto final possa avançar na tramitação com consenso suficiente.
Desafios na redação do novo texto e impacto político da proposta
Uma das dificuldades na formulação do novo texto está em evitar termos como “autonomia” e “independência”, que carregam peso político e podem gerar resistência. O desafio consiste em conceder maior liberdade financeira ao Banco Central, preservando o controle da União em aspectos estratégicos. Essa moderação busca equilibrar a demanda por maior capacidade operacional da autarquia com as preocupações do governo e da base aliada, refletindo a complexidade do cenário político e econômico.
A articulação entre Durigan e Galipolo reflete a busca por um meio-termo que permita ao Banco Central superar limitações orçamentárias, fortalecer sua atuação no sistema financeiro nacional e garantir estabilidade econômica, respeitando as prerrogativas do governo federal e o contexto político vigente.










