Movimento é influenciado por expectativas sobre cortes de juros nos EUA e política interna

O dólar abriu em queda nesta terça-feira, influenciado por tendências externas e repercussões políticas.
Dólar apresenta leve queda nesta terça-feira
O dólar apresenta leve queda nesta terça-feira (25), cotado a R$ 5,3818, seguindo a tendência negativa observada em mercados internacionais. O movimento é impulsionado por discussões sobre a possível redução da taxa de juros pelo Federal Reserve (Fed) dos Estados Unidos, que pode ocorrer em sua próxima reunião, programada para os dias 9 e 10 de dezembro. Esta expectativa é um dos fatores que influenciam a flutuação da moeda no Brasil.
O mercado financeiro brasileiro também está atento à audiência do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, que ocorrerá na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado. A participação de Galípolo em eventos econômicos é cuidadosamente observada pelos investidores, especialmente após suas declarações sobre a inflação, que atualmente está acima da meta estabelecida pelo Banco Central, que é de 3%, com uma tolerância de 1,5 ponto percentual. O presidente do BC deixou claro que o combate à inflação é a prioridade da autarquia e que não há espaço para cortes de juros neste ano.
Na segunda-feira (24), o dólar fechou em queda de 0,12%, cotado a R$ 5,395, com o aumento das apostas sobre a possibilidade de cortes de juros nos Estados Unidos. O mercado de ações brasileiro também reagiu positivamente, com a bolsa encerrando o pregão com uma alta de 0,32%, alcançando 155.277 pontos. Essa movimentação é um reflexo do apetite ao risco que se observa no cenário externo, onde os investidores estão mais otimistas devido à expectativa de políticas monetárias mais flexíveis no exterior.
Além disso, a situação política no Brasil, marcada pela prisão preventiva do ex-presidente Jair Bolsonaro, também está no radar dos analistas. A Primeira Turma do STF decidiu manter a prisão de Bolsonaro, o que gerou repercussões significativas no mercado financeiro. A decisão foi baseada na violação da tornozeleira eletrônica, que Bolsonaro tentou romper, e no risco de fuga para a embaixada dos EUA.
Os advogados do ex-presidente expressaram perplexidade com a decisão judicial, mas não contestaram os fatos sobre a violação da tornozeleira. Isso demonstra que o mercado, embora atenta as movimentações políticas, não reagiu de forma intensa, uma vez que muitos já consideravam essa situação como precificada.
Segundo o economista Rodrigo Marcatti, CEO da Veedha Investimentos, o discurso de Galípolo reforça a determinação do Banco Central em combater a inflação. Ele afirma que a atual situação dos preços não permite uma flexibilização na política de juros. O mercado está aguardando dados econômicos importantes que serão divulgados esta semana, como o PIB e o índice PCE dos EUA, que podem impactar as expectativas em relação à reunião do Fed.
A atenção dos investidores está voltada para a política monetária do Fed, que é fundamental para o sentimento do mercado global. A ferramenta FedWatch indica uma probabilidade de 80,9% de que o banco central dos EUA reduz a taxa de juros, o que seria bem recebido pelos mercados ao redor do mundo. Historicamente, cortes nas taxas de juros nos EUA têm um efeito positivo em ativos financeiros internacionais.
Expectativas para o futuro
A semana promete ser intensa, com a divulgação de dados que podem influenciar a política monetária e os rumos do mercado financeiro. A continuidade do crescimento da economia americana, com a adição de 119 mil postos de trabalho em setembro, ultrapassando as expectativas, também é um fator a ser considerado. Isso pode limitar os cortes de juros que muitos esperam.
Assim, os investidores devem continuar a monitorar tanto o cenário político interno quanto as diretrizes econômicas internacionais, que estão interligadas e podem afetar significativamente a cotação do dólar e o desempenho da bolsa. O equilíbrio entre a política fiscal e a necessidade de controle da inflação será um desafio constante para o Banco Central nos próximos meses.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
Fonte: Agência










