Em um conto de superação e esperança, o Haiti garante vaga na Copa do Mundo, um feito notável que ecoa o amistoso histórico de 2004 com a seleção brasileira, o chamado ‘Jogo da Paz’. Após 52 anos de ausência, a nação caribenha ressurge no cenário mundial do futebol, um símbolo de resiliência em meio a um contexto de desafios persistentes. O retorno haitiano reacende memórias de um passado recente marcado por instabilidade política e social, onde o futebol serviu como um raro momento de união e alegria.
A partida amistosa, idealizada pelo então presidente Lula, visava amenizar a difícil realidade haitiana, palco de conflitos internos e pobreza extrema. Na época, o Brasil liderava a Missão das Nações Unidas de Estabilização no Haiti, em um esforço para promover a paz e a segurança no país. A presença de astros como Ronaldo Fenômeno e Ronaldinho Gaúcho em solo haitiano gerou grande entusiasmo e simbolizou um gesto de solidariedade em um momento crítico para a nação.
O zagueiro Roque Júnior relembrou a forte impressão causada pela alegria do povo haitiano, mesmo diante das dificuldades. “Você via aquela multidão com dificuldades de sobreviver, e, mesmo assim, todo aquele povo todo alegre. Só quem estava lá viu como o futebol pode ajudar uma sociedade”, declarou ao Estadão em 2016. O amistoso, que terminou com a vitória brasileira por 6 a 0, tornou-se tema do documentário ‘O Dia em que o Brasil Esteve Aqui’ e rendeu à CBF o Prêmio Fifa Fair Play.
Entretanto, a jornada haitiana rumo à Copa do Mundo enfrenta obstáculos únicos. A crise de segurança no país é tão grave que o técnico francês Sébastien Migne nunca conseguiu trabalhar no Haiti. “É impossível porque é muito perigoso. Normalmente moro nos países onde trabalho, mas não posso aqui. Não há mais voos internacionais para lá”, explicou Migne à revista France Football, revelando o nível de instabilidade que assola a nação.
Apesar dos desafios, Migne construiu a seleção haitiana com base em informações de dirigentes e no recrutamento de jogadores com ascendência haitiana que atuam na Europa. A última participação do Haiti em Copas do Mundo foi em 1974, um passado distante que a atual geração busca reescrever. O retorno à competição máxima do futebol representa um raio de esperança para um país que enfrenta inúmeras adversidades, provando que, mesmo em meio à crise, o sonho e a paixão pelo esporte podem florescer.
Fonte: http://www.oliberal.com










