Dissonância cognitiva entre apoiadores de Bolsonaro após vídeo de tornozeleira


Como a realidade desafia as crenças dos seguidores do ex-presidente diante das evidências

Dissonância cognitiva entre apoiadores de Bolsonaro após vídeo de tornozeleira
Veja image. Foto: Adriano Vizoni/Folhapress

A prisão de Bolsonaro revela a dissonância cognitiva entre seus apoiadores, que buscam justificar a realidade.

Dissonância cognitiva exposta por apoiadores de Bolsonaro

A prisão preventiva de Jair Bolsonaro, que ocorreu no dia 22 de outubro, após a revelação de que ele violou sua tornozeleira eletrônica, expôs um fenômeno psicológico conhecido como dissonância cognitiva entre seus apoiadores. Esta condição se refere ao desconforto que uma pessoa sente quando confrontada com informações que contradizem suas crenças ou valores. No caso dos bolsonaristas, a situação se torna ainda mais complexa, pois envolve a crença de que Bolsonaro é uma vítima de uma suposta perseguição política.

O vídeo que virou a chave

No vídeo que viralizou nas redes sociais, Bolsonaro confessou ter utilizado um ferro de solda para danificar a tornozeleira. A partir desse momento, as reações em grupos de WhatsApp e Telegram se intensificaram. Uma análise da empresa Palver, que monitorou mais de 100 mil grupos, revelou que muitos apoiadores inicialmente negaram a violação, alegando que se tratava de uma falha do equipamento. No entanto, conforme as evidências se tornaram inegáveis, as justificativas começaram a mudar, e mais de 38% dos comentários gerados tentaram desqualificar a autenticidade do vídeo e da fala do ex-presidente.

Explicando a dissonância

O conceito de dissonância cognitiva foi introduzido pelo psicólogo Leon Festinger em 1954. Ele observou que indivíduos que se comprometem profundamente com uma crença tendem a desenvolver mecanismos de defesa quando confrontados com a realidade. Isso se aplica aos apoiadores de Bolsonaro, que, diante das evidências de sua infração, optaram por racionalizar sua crença ao invés de aceitá-la como falsa. Festinger identificou que, em situações de dissonância, as pessoas buscam reduzir o desconforto, muitas vezes através da negação ou da alteração de suas crenças.

Comparações com fenômenos passados

Esse fenômeno não é uma novidade entre os apoiadores de Bolsonaro. Um exemplo marcante ocorreu após a derrota eleitoral em 2022, quando muitos acreditavam que o resultado poderia ser revertido com uma intervenção militar. A cada prazo que expirava, novas justificativas surgiam, demonstrando a dificuldade em lidar com a realidade. O mesmo padrão se repete agora com a prisão de Bolsonaro, indicando que a dissonância cognitiva é uma característica persistente entre seus apoiadores mais fervorosos.

O impacto na sociedade

Além de refletir a psicologia individual, a dissonância cognitiva entre os bolsonaristas também tem implicações sociais mais amplas. A crença em teorias da conspiração e a negação de evidências concretas contribuem para a polarização política e dificultam o diálogo entre diferentes grupos. O fato de que muitos de seus seguidores tenham rompido laços familiares e sociais em defesa de suas crenças torna a situação ainda mais preocupante. Essa desconexão pode ter efeitos duradouros na sociedade brasileira.

Reflexões finais

A prisão de Bolsonaro, embora represente um avanço na responsabilização política, não elimina as consequências negativas de sua retórica durante o mandato. A promoção de teorias conspiratórias e a polarização do eleitorado criaram um ambiente onde a aceitação da realidade se torna um desafio. Para os apoiadores mais comprometidos, a dissonância cognitiva pode se transformar em uma prisão psicológica, onde a crença se sobrepõe à verdade. Este fenômeno não apenas afeta as relações pessoais, mas também pode prejudicar a saúde democrática do país.

Fonte: www1.folha.uol.com.br

Fonte: Adriano Vizoni/Folhapress


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