O governo Lula tem demonstrado habilidade em lidar com pressões externas e internas, superando tensões comerciais com os EUA e avançando pautas importantes no Congresso. A estratégia combina uma postura diplomática proativa com articulação política eficaz, buscando evitar confrontos diretos e construir consensos.
Uma fonte ligada à política externa destacou a importância de projeções precisas sobre o comércio exterior para formular uma estratégia de contenção pacífica frente às tarifas impostas pelos EUA. A decisão de evitar retaliações imediatas, mesmo com a possibilidade legal de fazê-lo, foi vista como uma opção tática.
Jorge Viana, presidente da ApexBrasil, ressalta que o restabelecimento da “diplomacia presidencial”, conduzida por Lula, foi fundamental para reabrir canais de diálogo e atenuar os impactos das tarifas. “Se o tarifaço tivesse vindo há quatro ou cinco anos, teria sido uma tragédia”, afirmou Viana, otimista com a melhora da situação através do diálogo.
Internamente, Lula tem demonstrado capacidade de articulação política, como na aprovação da isenção do Imposto de Renda até R$ 5 mil na Câmara. Parlamentares, inclusive da oposição, reconhecem a influência do presidente nas votações importantes, atribuindo a ele o papel de “homem-gol” do governo.
Nessa conjuntura, o governo buscou resistir aos ataques, driblar a pressão do mercado e manter a calma, organizando o time para as próximas etapas. No caso do tarifaço, ainda falta definir a tática para negociar com Marco Rubio, encarregado da renegociação pelos EUA, enquanto no caso do IR, aguarda-se a confirmação do Senado. Lula, recuperando a centralidade no governo, busca consolidar suas iniciativas e elevar os índices de aprovação.










