Ministro do STF pede apuração de contratos com município de São Paulo e atuação em processo de cemitérios privados

Ministro Flávio Dino pediu ao presidente do STF investigação sobre supostos vínculos entre o Instituto Iter, ligado a André Mendonça, o Banco Master e contratos com São Paulo.
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), encaminhou nesta terça-feira (15) ao presidente da Corte, Luiz Edson Fachin, um pedido para que sejam investigadas possíveis conexões entre o Banco Master, já liquidado, o Instituto Iter — fundado e ligado ao ministro André Mendonça — e contratos firmados com o poder público da cidade de São Paulo. A solicitação também inclui a suposta atuação de Mendonça em um processo que discute a regulação de cemitérios privados no estado.
O pedido foi feito poucas horas antes do início do julgamento sobre o pedido de investigação contra o ministro Alexandre de Moraes, que responde a acusações envolvendo supostos diálogos com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Dino é aliado de Moraes e, no dia anterior, autorizou operação contra o deputado federal Cezinha de Madureira (PL-SP), amigo de Mendonça, por influência em tribunais superiores.
Na decisão, Dino ressaltou que a convergência temporal e a natureza dos pontos de contato indicam quadro indiciário relevante para que seja esclarecida a existência ou não dessas conexões por meio das autoridades competentes.
Dentre os fatos destacados está o voto de André Mendonça, em abril de 2025, contra a manutenção de medida cautelar que afetava empresas de cemitérios privados, o que poderia alinhar-se aos interesses do setor. Também foi citada a atuação do irmão de Mendonça, Alexandre de Almeida Mendonça, na SP Regula, agência que regula serviços públicos de São Paulo, justamente na área funerária e cemiterial.
A decisão aponta ainda encontro entre Mendonça e Vorcaro em 14 de março de 2025, na sede do Instituto Iter. Posteriormente, o instituto firmou contratos remunerados com o município de São Paulo, ligado ao tema dos cemitérios. Mendonça confirmou o encontro, justificando que foi a pedido da igreja Batista Lagoinha, com mediação do deputado Cezinha de Madureira.
Além disso, foram destacados contratos do Instituto Iter com a Fundação para o Desenvolvimento da Educação (FDE) e com a Secretaria Municipal de Gestão de São Paulo, firmados sem licitação, totalizando aproximadamente R$ 2 milhões para serviços técnicos e treinamentos.
Dino explicou que o pedido não antecipa juízo de responsabilidade penal ou administrativa, ressaltando que a qualificação definitiva depende de investigação própria e comprovação dos requisitos legais.
A reportagem tentou contato com o gabinete do ministro André Mendonça para esclarecimentos e aguarda retorno.
Fonte: gazetadopovo.com.br










