Diálogos Silenciosos: Exposição na UFES Revela a Magia e o Mistério da Arte Africana

A Galeria Arte e Pesquisa da UFES (Universidade Federal do Espírito Santo) apresenta uma instigante exposição de cultura material africana, convidando o público a uma profunda reflexão sobre tempo, história e identidade. A mostra, que destaca a riqueza e a complexidade das formas e significados presentes em objetos de arte africanos, especialmente máscaras, propõe um encontro transformador entre o observador e a obra.

Em um mergulho nas temporalidades que permeiam esses artefatos, somos convidados a considerar não apenas o tempo da criação e do uso, mas também o tempo circular dos rituais e a sedimentação de camadas históricas. A exposição evoca a noção grega de Kairós, o momento oportuno de revelação e transformação, sugerindo que a experiência diante dessas obras pode ser um ponto de contato com o sagrado e o desconhecido.

A mostra remete ao encontro histórico de Pablo Picasso com a arte africana no Museu Etnográfico do Trocadero, em Paris, no início do século XX. Picasso descreveu a experiência como um “choque, revelação, força”, percebendo nas máscaras um propósito sagrado e mágico: intermediar a relação entre o homem e as forças desconhecidas. “Esse era o próprio significado da pintura… uma forma de magia que se interpõe entre o universo hostil e nós”, disse Picasso, citado por Françoise Gilot, no livro *Une autre histoire de l’art*.

Essa revelação impulsionou uma revolução na arte moderna, influenciando o desenvolvimento do Cubismo e rompendo com as convenções da perspectiva linear renascentista. A exposição na UFES convida o público a vivenciar uma experiência semelhante, propondo um “espelhamento entre faces” – a face do observador e a face da máscara – em busca de um diálogo profundo sobre quem somos, de onde viemos e para onde vamos.

Ao posicionar as máscaras na altura do olhar do espectador, a exposição cria um espaço para que esses objetos interroguem, questionem e, talvez, revelem algo sobre nossa própria cultura e existência. “A face de madeira segue seu rumo, em viagem pela nau do tempo”, convida o texto de divulgação, enfatizando a importância de reconhecer a influência da arte africana na construção de nossa identidade.

Fonte: http://www.folhavitoria.com.br