Despejo em área quilombola no Amapá gera revolta e deixa animais sem comida


Conflito judicial desabriga famílias e afeta a vida de animais no Quilombo do Curiaú.

Despejo em área quilombola no Amapá gera revolta e deixa animais sem comida
Casa de morador do Quilombo do Curiaú foi demolida. Foto: Divulgação

Despejo em Quilombo do Curiaú resulta em famílias desabrigadas e animais sem cuidados.

Despejo em área quilombola gera revolta

Uma disputa judicial por terras no Quilombo do Curiaú, em Macapá (AP), resultou em uma ação de despejo que deixou famílias desabrigadas e dezenas de animais sem alimentação ou água. A operação, realizada no dia 7 de outubro, atingiu cerca de 200 moradores e gerou denúncias de violência, destruição de casas e maus-tratos aos animais. A decisão da Justiça previa a reintegração de posse de apenas um hectare, mas a ação desapropriou cerca de 100 hectares.

Impacto sobre a comunidade

Os moradores afirmam que a área está localizada dentro da Área de Proteção Ambiental do Rio Curiaú e é reconhecida como o segundo território quilombola titulado do Brasil. O advogado Ruy Carvalho, que representa a comunidade, denunciou que a propriedade foi tomada de assalto, deixando os animais sem cuidados. Moradores relataram que estão impedidos de acessar o território e cuidar dos animais, que estão feridos e expostos a riscos.

Denúncias de crueldade

A Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq) denunciou práticas cruéis contra os animais, com relatos de cortes em porcos vivos e abandono. A entidade classificou a ação como ilegal e violenta, afirmando que fere a Constituição e normas internacionais que garantem direitos às comunidades quilombolas.

Mobilização por apoio

No dia 14, moradores se reuniram no Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) para denunciar o caso e solicitar apoio do Governo Federal. Eles exigem a suspensão imediata da ordem de despejo e a apuração dos atos de violência. A defesa da comunidade já entrou com uma petição pedindo a reversão da decisão, mas até agora não houve resposta judicial.


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