Desinformação sobre denúncia de racismo atinge maioria da população negra


Estudo revela que mais de 50% das pessoas pretas e pardas desconhecem como registrar ocorrências de racismo

Desinformação sobre denúncia de racismo atinge maioria da população negra
Estudo revela falta de conhecimento sobre como denunciar racismo. Foto: TV Cultura

Estudo indica que 52% das pessoas pretas e pardas não sabem como denunciar racismo, refletindo desinformação e desconfiança na justiça.

A desinformação sobre como denunciar racismo no Brasil

Um estudo realizado pelos institutos Orire e Sumaúma mostrou que 52% das pessoas pretas e pardas ainda não sabem quais caminhos devem seguir para denunciar o crime de racismo. Esta pesquisa revela um quadro alarmante, uma vez que 8 em cada 10 vítimas, ou 83,9%, nunca registraram um boletim de ocorrência. A falta de clareza sobre como denunciar o racismo, além da baixa confiança na justiça, contribui para a impunidade.

A falta de conhecimento e suas consequências

A pesquisa também apontou que apenas 47,5% das pessoas pretas e pardas conhecem a legislação antidiscriminatória do país. Este dado demonstra a necessidade urgente de campanhas educativas que informem a população sobre seus direitos e os mecanismos disponíveis para registrar ocorrências de racismo. As dificuldades enfrentadas por essas vítimas são muitas, e a falta de informação frequentemente as impede de buscar justiça.

A visão de especialistas sobre o tema

“Nós não temos pessoas negras com a caneta na mão, como diz o espaço de poder para falar: ‘Não, isso aqui tem que estar na legislação, o posicionamento tem que mudar’. Nós não temos, são só homens brancos, cis, héteros, economicamente ativos que não têm interesse algum que essa lei, que esse crime vá para a frente”, afirma Estevão Silva, presidente da Associação Nacional da Advocacia Negra. Essa declaração destaca a importância de uma representação mais diversificada nas esferas de poder, fundamental para que mudanças efetivas ocorram.

Avanços recentes na luta contra o racismo

Por outro lado, para aqueles que conhecem a legislação, há esperança de avanço. Desde que o Supremo Tribunal Federal (STF) equiparou a injúria racial ao crime de racismo, em 2021, o número de novos processos judiciais subiu. Entre os anos de 2022 e 2025, os registros de ações mais que dobraram, apontando que, mesmo diante das dificuldades, há um movimento crescente por justiça.

Diferença entre injúria racial e racismo

É importante entender a diferença entre os conceitos de injúria racial e racismo. A injúria racial é uma ofensa à honra de alguém pela sua raça, cor, etnia, religião ou origem, enquanto o racismo atinge a coletividade. Ambos os crimes não prescrevem e devem ser denunciados às delegacias, Ministérios Públicos ou Defensorias Públicas. Essa distinção é vital para que as vítimas possam compreender a gravidade de cada situação e buscar os devidos encaminhamentos legais.

O que fazer se você for vítima de racismo

Caso alguém se identifique como vítima de racismo, é essencial que essa pessoa busque informações sobre como proceder. A denúncia pode ser feita em delegacias, onde é possível registrar um boletim de ocorrência, ou através de canais especializados que oferecem suporte legal. Conhecer os próprios direitos é o primeiro passo para combater a discriminação e buscar justiça. É fundamental que mais campanhas de conscientização sejam realizadas para que a população tenha acesso a essas informações e se sinta encorajada a agir contra o racismo.

Fonte: cultura.uol.com.br

Fonte: TV Cultura


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