Falta de apoio e barreiras legais dificultam a busca por justiça entre imigrantes

Brasileiras na Itália enfrentam barreiras como falta de visto e apoio para denunciar violência doméstica.
Contexto da violência doméstica contra brasileiras na Itália
As brasileiras na Itália enfrentam uma realidade alarmante, marcada por dificuldades ao tentarem denunciar a violência doméstica. O país, que ocupa o terceiro lugar em registros de violência contra mulheres brasileiras, apresenta um cenário complexo em que fatores como a falta de visto e a ausência de redes de apoio se tornam barreiras significativas.
Obstáculos enfrentados pelas vítimas
Viviana, nome fictício, é um exemplo disso. Após sofrer violência física e psicológica durante três anos de casamento com um italiano, ela se viu em uma situação de vulnerabilidade. “Sentia que não tinha credibilidade por ser estrangeira”, revela ela, que ficou irregular por quase dois anos. Essa insegurança é compartilhada por muitas mulheres na mesma situação, que hesitam em buscar ajuda devido ao medo e à dependência econômica.
Dados alarmantes sobre violência
De acordo com o Ministério das Relações Exteriores, a Itália registrou 153 casos de violência contra brasileiras no último ano, atrás apenas dos Estados Unidos e da Bolívia. Casos recentes, como o assassinato de duas brasileiras em 2024, reacenderam o debate sobre a violência de gênero no país, levando à inclusão do feminicídio no Código Penal.
Fatores que dificultam a denúncia
A advogada Ilaria Boiano, especialista em imigração, destaca que a condição de irregularidade pode ser usada como uma ferramenta de controle pelo agressor. Muitas brasileiras dependem de vistos vinculados a seus parceiros, o que as coloca em uma situação ainda mais delicada. A falta de conhecimento do idioma e a ausência de uma rede de apoio sólida dificultam a busca por justiça, como explica a embaixadora Márcia Loureiro, que enfatiza a importância do suporte consular.
Ações de apoio e conscientização
Os consulados brasileiros na Itália têm promovido ações para oferecer suporte psicológico e jurídico às vítimas. Iniciativas como o “violentômetro”, que ajuda as mulheres a reconhecerem sinais de abuso, são fundamentais. Criado pelo Grupo Mulheres do Brasil, esse recurso visa informar e empoderar as brasileiras sobre seus direitos e os recursos disponíveis para elas.
Conclusão
Embora a situação das brasileiras na Itália seja desafiadora, esforços estão sendo feitos para melhorar o apoio e a conscientização sobre a violência doméstica. É fundamental que essas mulheres saibam que não estão sozinhas e que existem recursos para ajudá-las a romper o ciclo de violência. O fortalecimento das redes de apoio e a promoção de campanhas de conscientização são essenciais para garantir a segurança e a proteção das brasileiras vivendo no exterior.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
Fonte: Reuters










