Em pronunciamento na Câmara dos Deputados, o deputado federal Otoni de Paula (MDB-RJ) lançou fortes críticas à operação Contenção, realizada no Rio de Janeiro. O parlamentar afirmou que quatro dos jovens mortos eram filhos de membros de sua igreja, o Ministério Missão de Vida, e questionou a forma como as vítimas estão sendo tratadas.
“Estão sendo contados no pacote como se fossem bandidos”, declarou Otoni, enfatizando que os rapazes “nunca portaram fuzis”. Ele criticou o governador Cláudio Castro (PL), classificando a operação como um “teatro espetacular”, e lamentou o que considera ser uma generalização em relação à população negra e favelada.
O deputado pediu um minuto de silêncio em homenagem às vítimas da operação, expressando também solidariedade às famílias dos quatro policiais mortos. Suas declarações contrastam com a postura do governador Cláudio Castro, que questionou a presença de civis em área de mata durante a operação, afirmando que as únicas vítimas seriam os policiais.
Diante da repercussão do caso, o procurador-geral de Justiça do Rio de Janeiro, Antônio José Campos Moreira, lamentou todas as mortes e garantiu que o Ministério Público irá investigar as ações e acompanhar o reconhecimento dos corpos. A escalada da violência levou o governo federal e o estado do Rio de Janeiro a anunciarem uma parceria para combater o crime organizado, conforme informado pelo Ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski.
Em meio à crise, a declaração do deputado Otoni de Paula reacende o debate sobre a letalidade policial e o tratamento da população em áreas de conflito. O parlamentar expressou preocupação com a estigmatização das vítimas, argumentando que “a vítima não é o traficante, porque morrem dez e nascem mil. A vítima é o povo que serve de massa de manobra para político safado e incompetente”.










