O Coletivo de Mulheres da Reserva Indígena de Dourados formalizou uma denúncia preocupante na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul. Elas acusam advogados de atuarem de forma irregular nas aldeias Jaguapiru e Bororó, explorando a vulnerabilidade social das comunidades. A deputada Gleice Jane (PT) encaminhou o requerimento à Mesa Diretora, detalhando as alegações.
Segundo o documento, os advogados estariam utilizando dados pessoais de indígenas sem autorização para firmar contratos e contrair empréstimos. Essa prática, segundo as denunciantes, configura uma grave violação de direitos e um abuso da situação de fragilidade das famílias indígenas. O coletivo busca uma investigação rigorosa para responsabilizar os envolvidos.
Diante da gravidade das acusações, o pedido formalizado na Assembleia Legislativa solicita que a OAB/MS (Ordem dos Advogados do Brasil, seccional Mato Grosso do Sul) conduza uma apuração detalhada. O objetivo é que a Ordem “atue de forma rigorosa e transparente, identificando os advogados que exercem atividades jurídicas no interior das comunidades, apurando denúncias ou indícios de irregularidades e adotando as providências previstas no Código de Ética e Disciplina da Ordem quando necessário”, conforme o documento.
A preocupação com a conduta ética de advogados ganha um contorno ainda mais relevante diante do aumento de golpes praticados por falsos profissionais em Mato Grosso do Sul. A OAB/MS tem registrado um número alarmante de denúncias, o que motivou o lançamento de uma campanha de conscientização e a abertura de canais de denúncia para auxiliar a população. A entidade também está buscando responsabilizar empresas de telefonia e redes sociais pela disseminação dos golpes.
De acordo com a OAB/MS, os criminosos utilizam dados e informações de advogados reais para abordar vítimas, geralmente por meio do WhatsApp. Eles oferecem causas inexistentes ou simulam decisões judiciais para solicitar depósitos bancários, aproveitando-se da desinformação e da confiança das pessoas. A Ordem estima que já foram registradas cerca de mil denúncias de “golpe do falso advogado” somente este ano no estado.










