Prefeito Eduardo Pimentel apresenta nova concessão em edital que modernizará o sistema por 15 anos
Conhecida por décadas como modelo em mobilidade urbana no Brasil, Curitiba perdeu espaço nos últimos anos diante de novas soluções implementadas em capitais como São Paulo e Belo Horizonte. Agora, a gestão do prefeito Eduardo Pimentel aposta na nova concessão do transporte coletivo como o maior passo em 20 anos para reposicionar a cidade como protagonista nacional no setor.

O projeto foi apresentado na sexta-feira (19/9) e prevê um contrato de 15 anos, estruturado em parceria com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O valor estimado é de R$ 18 bilhões ao longo do período, dos quais R$ 3,7 bilhões serão destinados diretamente a investimentos em frota e infraestrutura.
Modernização da frota e aposta em sustentabilidade
Entre as principais novidades estão a introdução de 245 ônibus elétricos nos primeiros cinco anos da concessão, além da compra de 149 veículos a diesel com tecnologia Euro 6, menos poluentes. A meta é que 30% da capacidade de assentos do sistema esteja em veículos zero emissões até 2031, alinhando a cidade ao plano de neutralizar as emissões de carbono até 2050.
A concessão também prevê a criação de eletropostos nos terminais Capão Raso e Capão da Imbuia, além de 107 carregadores distribuídos em garagens. A modernização deve ainda incluir a requalificação de 16 estações-tubo e a reformulação de 30 itinerários, com a implantação de cinco novas linhas.
Integração e eficiência no deslocamento
O novo modelo prioriza a integração entre linhas e a agilidade no deslocamento, recuperando o conceito pioneiro que fez de Curitiba referência no setor. Atualmente, o sistema transporta 555 mil passageiros por dia útil, em 309 linhas que utilizam 1.189 ônibus.
Segundo Pimentel, a cidade não ficará sem transporte eficiente em nenhum momento da transição, prevista para começar em junho de 2026 e durar até dois anos. Ele também garantiu que a tarifa não sofrerá aumento durante o processo.
Consulta e participação popular
A Prefeitura abriu consulta pública para que a população, investidores e entidades de classe tenham acesso ao projeto e possam contribuir com propostas e sugestões. Além disso, duas audiências públicas já estão marcadas para os dias 1º e 15 de outubro, reforçando a ideia de transparência e participação social.
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“O transporte coletivo é uma marca da nossa cidade, que queremos recuperar com inovação, qualidade e sustentabilidade. Essa concessão marca um salto histórico”, afirmou o prefeito durante a apresentação.
Estrutura da concessão
O edital, previsto para novembro, vai leiloar cinco lotes – dois de BRT e três regionais (Norte, Sul e Oeste) – com operação de 15 anos. A modelagem é considerada robusta, com garantias que tornam o edital mais atrativo para investidores, além de mecanismos que incentivam propostas com maior desconto.
O leilão está marcado para janeiro de 2026, na B3 (Bolsa de Valores de São Paulo).
Curitiba em busca da liderança perdida
Desde os anos 1970, quando implantou o sistema de canaletas exclusivas para ônibus, Curitiba ficou mundialmente conhecida como cidade inovadora em transporte urbano. Contudo, a falta de novos investimentos nas últimas décadas fez a capital perder espaço como referência.
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Com a nova concessão, a gestão municipal pretende recuperar esse papel de liderança. O foco em tecnologia limpa, integração de linhas e qualidade do serviço coloca Curitiba novamente no debate nacional sobre mobilidade sustentável e transporte coletivo de qualidade.










