Meu Papai Noel não vem?

A poucos dias do Natal, período tradicionalmente associado a celebrações, balanços e esperança, o senador Sergio Moro (União Brasil-PR) enfrenta um dos momentos mais delicados de sua trajetória política. Em meio a disputas partidárias, perda de espaço político no Paraná e novos desdobramentos judiciais, o cenário está longe de ser festivo.
No imaginário popular, Papai Noel premia os “bons comportamentos” ao longo do ano. Aplicando a metáfora ao campo político, aliados avaliam que Moro chega ao fim de 2025 acumulando mais “presentes de grego” do que motivos para comemoração.
No plano estadual, o senador viu seu principal aliado, o deputado estadual Mauro Moraes, ser gradualmente esvaziado dentro do Governo do Paraná. Moraes passou a ficar fora de inaugurações, anúncios relevantes, articulações com prefeitos e lideranças do interior, além da perda de influência na indicação de cargos estratégicos. O mesmo destino atingiu o delegado Tito Barichello, que também integrou a base política de Moro e acabou afastado do núcleo governista na Assembleia Legislativa.
Enquanto aliados acreditam que o afastamento pode ser temporário, o desgaste se ampliou no campo partidário nacional. Em dezembro, o senador Ciro Nogueira, presidente nacional do Progressistas e principal articulador da federação entre Podemos e União Brasil, desembarcou em Curitiba para tratar do futuro político da aliança. Até então, Moro considerava certa a homologação de sua candidatura pela federação para as próximas eleições.
O cenário mudou após reunião com as bancadas federal e estadual. Em coletiva de imprensa, Ciro Nogueira foi direto ao anunciar que o Podemos não assinaria a homologação da candidatura de Sergio Moro no Tribunal Regional Eleitoral. A decisão frustrou expectativas do senador, que ainda apostava em uma possível reversão em Brasília, com apoio do presidente nacional do União Brasil, Antonio Rueda. A reunião, porém, manteve a decisão tomada em Curitiba.
Paralelamente às dificuldades políticas, Moro voltou ao centro de uma disputa judicial e midiática envolvendo o empresário Tony Garcia. O senador tem rebatido publicamente denúncias que incluem supostas escutas ilegais e outras irregularidades durante sua atuação como juiz da 13ª Vara Federal de Curitiba. Moro sempre classificou Tony Garcia como um ex-condenado sem credibilidade.
No entanto, a controvérsia ganhou novo capítulo após o Supremo Tribunal Federal solicitar, sem sucesso, o envio de documentos da Vara. Diante da ausência de resposta, o ministro Dias Toffoli determinou busca e apreensão no local. O material encontrado incluiu gravações que passaram a ser divulgadas pela imprensa, levantando suspeitas sobre a legalidade de procedimentos adotados à época. Moro sustenta que os áudios foram divulgados fora de contexto e reafirma que sempre agiu dentro da lei.
Entre perdas de apoio político, impasses partidários e questionamentos judiciais, o senador encerra o ano em um ambiente de incerteza. Mantendo a analogia natalina, aliados avaliam que Sergio Moro precisará mais do que discursos para recuperar espaço e credibilidade. Caso contrário, o Natal político pode passar sem presentes e com cobranças cada vez maiores.










