O Paysandu Sport Club enfrenta uma turbulência que vai além dos gramados, com a equipe na lanterna da Série B e a torcida clamando por mudanças. Fred Carvalho, ex-diretor de futebol do clube, formalizou denúncias graves ao Ministério Público, acusando um esquema de poder perpetuado por ‘famílias’ que controlariam a política e as finanças do clube há anos. As acusações miram principalmente a gestão do ex-presidente Maurício Ettinger (2021-2024) e o grupo político ligado ao antigo ‘Novos Rumos’.
Carvalho alega que a falta de transparência e as irregularidades financeiras seriam a raiz dos problemas do clube. Um dos pontos centrais da denúncia é a não prestação de contas de verbas de patrocínio recebidas entre 2021 e 2024. “Não consta no site do Paysandu Sport Club ou no site da FPF-PA as atas das Assembleias Gerais de Prestações de Contas dos anos de 2021 a 2024”, afirma o documento encaminhado ao MP.
As denúncias se apoiam na Lei Pelé e na Nova Lei Geral do Esporte, que exigem transparência na gestão dos clubes, incluindo a publicação de demonstrações contábeis e financeiras auditadas por empresa independente. A lei busca garantir maior controle social e dificultar práticas de má gestão no futebol e em outras modalidades. O denunciante alega que o Paysandu não cumpriu essas exigências.
Outra acusação grave é o recebimento de verbas públicas em contas particulares vinculadas ao ex-diretor financeiro Abelardo Serra. Segundo a denúncia, valores de patrocínio e do programa Sócio Bicolor foram depositados nessa conta, totalizando cerca de R$ 800 mil, dos quais apenas R$ 500 mil teriam sido repassados ao clube. Essa suposta irregularidade teria causado prejuízos ao Paysandu, culminando no TransferBan da Fifa.
Carvalho teme que o clube entre em colapso devido às manobras fiscais conduzidas pela cúpula. Ele afirma ter ligado para pessoas em Belém para entender o que estava acontecendo na política do clube, e a partir daí, com documentos enviados, realizou uma auditoria. “Como que o clube arrecada R$ 75 milhões em 2024 e, em 2025, R$ 80 milhões, e está nessa situação?”, questiona o ex-dirigente. Ele alega que as famílias Couceiro, Aguilera e Ettinger detêm o poder político, financeiro e no futebol, respectivamente.
A denúncia também aponta para a utilização de ‘cabritos’ (títulos de sócio-proprietário) para influenciar as eleições do clube. Segundo Carvalho, a família Couceiro possuiria mais de mil títulos, utilizados para garantir a eleição de seus candidatos. O denunciante cita ainda o patrocínio do vereador André Martha Filho às categorias de base do Paysandu, questionando a origem dos recursos e a legalidade da ação, dada a legislação que impede agentes públicos de utilizarem seus cargos para promoção pessoal.
A reportagem tentou contato com os citados nas denúncias. Antônio Couceiro optou por não se manifestar. Roger Aguilera, Maurício Ettinger e André Martha Filho não responderam até o fechamento desta edição. O espaço permanece aberto para suas manifestações.
Fonte: http://www.oliberal.com










