Setor enfrenta escassez de profissionais qualificados e precisa reformular gestão para competir por talentos

Setor de restaurantes em Curitiba amarga dificuldade histórica para contratar mão de obra qualificada, mesmo com salários recordes. Horários e cultura interna desafiam empresários.
A Crise que Ninguém Quer Encarar
A frase “ninguém quer trabalhar em restaurante” se tornou um mantra amargo entre donos de bares e restaurantes em Curitiba, refletindo uma crise de mão de obra que ultrapassa a simples falta de interesse. Pesquisa da Abrasel de março de 2025 confirma: 90% dos empresários do setor consideram “difícil” ou “muito difícil” contratar novos funcionários. O problema, contudo, exige um olhar mais honesto e detalhado.
Salário Recorde, Mas Problema Persistente
Apesar do salário médio do setor atingindo R$ 2.222 em 2025, a maior média histórica da PNAD, o descompasso permanece. Mais da metade dos empresários — 61% — relatam escassez de interessados, e 64% apontam a falta de qualificação técnica entre os que se apresentam. O desafio não é apenas financeiro: a estrutura do setor, com jornadas em horários pouco atrativos como noites e feriados, afasta potenciais candidatos.
Queda na Atratividade e Competição Acirrada
Além dos horários, o setor concorre com mercados que oferecem melhores condições de trabalho e autonomia, como construção civil, comércio e serviços via aplicativos. Isso explica o deslocamento da mão de obra e a dificuldade em preencher cargos críticos como sushiman, churrasqueiro, cozinheiro-chefe e gerente, funções que garantem a qualidade e identidade do restaurante.
Rotatividade e Impacto nas Margens
A saída constante de funcionários onera os restaurantes com custos de treinamento, rescisão e queda de produtividade, corroendo margens já apertadas. Empresários, como Celio Salles do Bob’s, alertam para a necessidade de contratar com calma e critérios rigorosos, evitando a ”contratação emergencial” que só agrava o problema.
Mudança de Paradigma: Empresas Sob Avaliação
Salles provoca: hoje, a empresa é quem está sendo avaliada pelo candidato. Profissionais buscam ambientes que alinhem valores, ofereçam reconhecimento, aprendizado e perspectiva de crescimento. Salário é um componente, mas o respeito, comunicação transparente e cultura de valorização são essenciais para atrair e manter talentos.
Estratégias que Fazem a Diferença
Empresários que investem em premiações, cursos, benefícios, flexibilidade e transporte noturno estão à frente. Porém, a construção de planos de carreira claros e a humanização da gestão — sem abrir mão da disciplina e padrão — são fundamentais para a estabilidade da equipe e qualidade do serviço.
Sem Solução Imediata, Mas com Caminho Claro
A crise é estrutural e exige mais que reajustes salariais. Mudanças culturais e administrativas são urgentes para que restaurantes corram mais rápido que a concorrência. Em um mercado que valoriza cada vez mais o profissional, quem oferecer ambiente e perspectivas reais conquistará os melhores talentos e superará os desafios atuais.
Fonte: xvcuritiba.com.br










