Operações policiais recentes, com epicentro na Avenida Faria Lima, em São Paulo, expuseram a magnitude do desafio da segurança pública no Brasil. As investigações revelaram a intrincada conexão entre o Primeiro Comando da Capital (PCC), o mercado financeiro e outras atividades ilícitas, como o garimpo ilegal em estados amazônicos, incluindo Roraima.
Os desdobramentos das operações indicam que o PCC, postos de combustíveis e fintechs movimentaram cerca de R$ 140 bilhões em transações criminosas. Esse cenário lança luz sobre as deficiências da segurança pública, especialmente em Roraima, onde a abordagem se concentra em ações ostensivas, como operações rodoviárias e abordagens em áreas periféricas.
Em contrapartida, surge a defesa de uma política de “tiro, porrada e bomba”, que desvia a atenção da necessidade urgente de estratégias mais amplas. Investimentos em inteligência, tecnologia e investigações complexas são cruciais para combater o crime organizado, que se estende para além do tráfico de drogas.
Enquanto a polícia é treinada para um “confronto nas ruas”, perseguindo pequenos traficantes, a criminalidade se infiltrou em grandes corporações, na política e no próprio sistema financeiro. O problema vai além das disputas territoriais na periferia e do garimpo ilegal em terras indígenas; o crime se instalou no coração financeiro do país.
A menos que uma política de segurança pública abrangente reconheça essa nova realidade, os criminosos continuarão a se fortalecer. Enquanto isso, os policiais, idealizados como “heróis”, realizarão ações paliativas, alimentando um ciclo de violência e, em alguns casos, sendo recompensados com cargos políticos por defenderem o discurso do “tiro, porrada e bomba”.
Manaus, no Amazonas, ilustra essa tendência, com a eleição de um sargento da Polícia Militar como vereador, impulsionada por uma abordagem de segurança pública focada em personalidades operacionais. Enquanto isso, faltam políticas públicas eficazes para combater organizações criminosas cada vez mais sofisticadas.
Roraima, há tempos, enfrenta essa nova faceta do crime, com investigações envolvendo policiais militares, políticos e seus familiares em atividades ilícitas, como a venda de armas para o garimpo ilegal. A persistência na mesma fórmula de segurança pública, baseada em operações pontuais, demonstra uma possível falta de vontade política, incompetência ou mesmo influência de forças poderosas, possivelmente com ligações na Faria Lima.
Fonte: http://www.folhabv.com.br










