Estudo revela que a maioria das agressões ocorre na presença de menores e que a ajuda é escassa

Estudo mostra que 70% dos casos de violência doméstica têm testemunhas, sendo a maioria crianças.
A violência doméstica no Brasil e suas consequências
Em uma pesquisa alarmante sobre violência doméstica realizada em 2025, constatou-se que 70% das agressões ocorridas no Brasil nos últimos 12 meses tiveram testemunhas presentes, com a maioria sendo crianças. Essa estatística é parte de um levantamento mais amplo do Instituto DataSenado em parceria com o Observatório da Mulher contra a Violência (OMV).
O estudo, que entrevistou 21.641 mulheres a partir de 16 anos, revelou que a violência contra a mulher continua a ser uma questão crítica no país, com 3,7 milhões de brasileiras relatando ter sofrido algum tipo de violência doméstica. A pesquisa aponta que, em 40% dos casos, as testemunhas adultas não tomaram nenhuma atitude para ajudar as vítimas no momento da agressão.
Testemunhas da violência: o papel das crianças
As crianças, que muitas vezes são as testemunhas da violência, crescem em um ambiente onde a agressão é normalizada. Marcos Ruben de Oliveira, coordenador do Instituto de Pesquisa DataSenado, ressalta que isso pode ter efeitos devastadores no desenvolvimento psicológico e emocional das crianças. Ele alerta que os filhos das vítimas estão expostos à violência, o que perpetua um ciclo doloroso.
O que as vítimas fazem diante da violência?
O levantamento também revelou que, diante da violência, as mulheres tendem a buscar apoio em suas redes sociais antes de recorrer às autoridades. Os dados indicam que 58% das vítimas buscam ajuda na família, 53% na igreja e 52% entre amigos, enquanto apenas 28% registram denúncias em delegacias. Essa baixa procura por ajuda oficial mostra a dificuldade que as mulheres enfrentam para romper o ciclo da violência.
Desconhecimento sobre o que é violência
Outro ponto importante destacado pela pesquisa é que muitas mulheres, especialmente as que possuem menor escolaridade, desconhecem os mecanismos de proteção disponíveis. O percentual de mulheres analfabetas que não conhecem a lei de proteção é de 30%, comparado a apenas 3% entre aquelas com ensino superior. Isso revela a necessidade urgente de políticas públicas focadas na educação e na conscientização sobre os direitos das mulheres.
Educar para prevenir
Oliveira enfatiza que a prevenção da violência deve começar na educação infantil, para que as crianças compreendam que a agressão não é uma norma aceitável. O reconhecimento dos diferentes tipos de violência, incluindo a psicológica e a moral, também é essencial para que as vítimas se sintam encorajadas a buscar ajuda.
A pesquisa conclui que a repetição da violência, somada ao medo, à dependência econômica e à falta de apoio, mantém milhares de mulheres presas em relacionamentos abusivos. Com isso, a violência doméstica continua a ser uma triste realidade para muitas brasileiras que se sentem sozinhas e sem alternativas.
Caminhos para a mudança
A pesquisa não apenas revela a extensão da violência, mas também oferece uma base para a formulação de políticas públicas mais eficazes. Compreender os dados e as experiências vividas pelas mulheres é fundamental para desenvolver estratégias que visem reduzir as taxas de feminicídio e melhorar a situação das vítimas de violência no Brasil. A mudança começa com a educação e o reconhecimento de que a violência não deve ser tolerada em nenhuma forma.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
Fonte: Agência










