A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que apura desvios bilionários no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) se prepara para uma semana crucial. Na quinta-feira, 11 de julho, a comissão deve votar os primeiros pedidos de quebra de sigilo de investigados, conforme anunciado pelo presidente do colegiado, senador Carlos Viana (Podemos-MG). A expectativa é alta em relação ao avanço das investigações.
Até o momento, foram protocolados 252 requerimentos de quebra de sigilo – bancário, fiscal, telefônico e telemático – visando dados cruciais para o inquérito. Adicionalmente, a CPMI analisa 220 pedidos de relatórios de inteligência financeira (RIFs) do Coaf, que rastreiam movimentações financeiras suspeitas. A oposição tem sido a principal força por trás desses requerimentos, demonstrando o interesse em elucidar o caso.
Entre os alvos dos pedidos de quebra de sigilo, destacam-se figuras centrais no escândalo, incluindo Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, e o empresário Maurício Camisotti. Além deles, o ex-presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, e os ex-ministros da Previdência, Carlos Lupi e Ahmed Mohamad Oliveira Andrade (anteriormente José Carlos de Oliveira), também estão na mira. A lista inclui ainda ex-servidores, empresários e até empresas já envolvidas em outras investigações.
“Pretendo colocar todos os requerimentos em pauta para que governo e oposição negociem os primeiros a serem aprovados”, declarou Carlos Viana, buscando assegurar a imparcialidade nas decisões da comissão. Essa abordagem visa garantir que a investigação seja conduzida de forma justa e abrangente, sem favorecimentos ou perseguições.
A CPMI também definiu a agenda de depoimentos para os próximos dias. O ex-ministro da Previdência do governo Bolsonaro, Ahmed Mohamad Oliveira Andrade, será ouvido na quinta-feira, 11. Na segunda-feira, 15, será a vez do “Careca do INSS”, e no dia 18, o empresário Maurício Camisotti prestará esclarecimentos. A expectativa é que esses depoimentos tragam novas informações e ajudem a esclarecer o esquema fraudulento.
Em depoimento anterior à CPI do INSS, Carlos Lupi negou qualquer envolvimento em irregularidades no órgão. “Errar é humano; eu posso ter errado várias vezes. Má-fé eu nunca tive. Acobertar desvios, nunca fiz na minha vida”, afirmou o ex-ministro, ressaltando que espera ver os responsáveis pelas fraudes punidos. Ele também declarou desconhecer Antonio Carlos Camilo Antunes e Maurício Camisotti, apontados como operadores do esquema.
Lupi, que esteve à frente do ministério quando o escândalo veio à tona, explicou que tomou providências contra fraudes durante sua gestão. Ele reconheceu, contudo, que talvez não tenha dimensionado a extensão do problema. A CPMI continua a ouvir ex-ministros da Previdência de governos anteriores, buscando aprofundar a investigação e identificar todos os envolvidos no esquema de fraudes.
Fonte: http://agorarn.com.br










