Redução de 0,25 ponto da Selic para 13,75% ao ano não fecha portas para nova baixa

Copom realiza quinta redução consecutiva da Selic, mas mantém postura cautelosa diante da desaceleração econômica e inflação abaixo do teto da meta, sinalizando possibilidade de novo corte em novembro.
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central anunciou nesta quarta-feira (16) o corte de 0,25 ponto percentual na taxa Selic, reduzindo-a para 13,75% ao ano. Essa foi a quinta redução consecutiva, mas o tom do comunicado oficial demonstra cautela diante do cenário econômico. O Copom destacou que dados recentes evidenciam uma desaceleração econômica, especialmente nos setores mais sensíveis ao ciclo, além de indicar que tanto a inflação geral quanto os núcleos estão abaixo do teto da meta.
Analistas avaliam que esses sinais permitem a continuidade do processo de ajuste monetário, iniciado em março, mas com atenção aos riscos ainda existentes. Beto Saadia, economista da Nomos, ressalta que a linguagem do comunicado evoluiu de uma sinalização de “sinais mistos” para uma constatação mais firme da desaceleração e da inflação controlada, reforçando a possibilidade de mais cortes.
Rafaela Vitória, do Banco Inter, destaca que a taxa Selic mantém-se em patamar ainda restritivo, justificando a manutenção do ciclo de cortes diante da perda de força da atividade econômica, conforme indicador IBC-Br de julho. Por outro lado, Pablo Spyer, da Associação Nacional de Corretoras (Ancord), aponta que, embora o Copom tenha entregue o corte esperado, não concedeu um comprometimento claro para reduções futuras, diante de expectativas de inflação ainda desancoradas e riscos elevados.
Augusto Parente, da AW Capital, observa que o Banco Central monitora os impactos dos choques de oferta no petróleo decorrentes da guerra no Oriente Médio, elemento que pode influenciar decisões futuras. O Copom, portanto, mantém a postura de aguardar dados adicionais e cenários externos antes de definir a continuidade dos cortes.
Entenda o cenário
- Selic reduzida para 13,75% ao ano, quinta queda consecutiva
- Desaceleração econômica mais evidente, especialmente em setores cíclicos
- Inflação geral e núcleos abaixo do teto da meta
- Mercado dividido quanto a novos cortes, mas maioria não descarta
- Banco Central monitora riscos externos, como choque de oferta no petróleo
O próximo encontro do Copom está marcado para novembro, quando o Comitê poderá revisar sua estratégia de política monetária conforme evolução dos dados econômicos e riscos inflacionários.
Fonte: metropoles.com










