Evento em Belém reforça a urgência da descolonização e protagonismo das comunidades periféricas na crise ambiental

A COP30 em Belém coloca o poder da favela no centro da justiça climática global, destacando a importância da descolonização para enfrentar a crise ambiental.
A COP30 trouxe para o centro do debate internacional a importância do poder da favela na justiça climática, colocando em evidência as populações periféricas que enfrentam diariamente os maiores impactos da crise ambiental. Ao sediar o evento em Belém, uma cidade marcada por altos índices de “favelização”, o Brasil expõe a urgência de descolonizar o futuro e repensar os paradigmas que marginalizam comunidades negras, indígenas e pobres.
Crise climática e desigualdade: o contexto da COP30 em Belém
Belém do Pará, região com significativa presença de favelas e vulnerabilidade socioambiental, foi escolhida para sediar a 30ª Conferência das Partes (COP30), evento que discute as políticas globais para mitigação das mudanças climáticas. Essa escolha simbólica revela a interseção entre a degradação ambiental e as injustiças sociais históricas, onde as populações periféricas sofrem maior exposição a riscos como inundações, falta de saneamento básico e habitações precárias.
A COP30 destaca que a crise climática não é apenas uma questão ambiental, mas também uma questão de justiça social, que exige a inclusão das vozes marginalizadas na formulação de soluções. A abordagem descolonial, inspirada em pensadores como Frantz Fanon, reforça a necessidade de reconhecer a autonomia e o protagonismo dessas comunidades para garantir um futuro sustentável.
O protagonismo das favelas na construção de soluções climáticas
O poder da favela se manifesta na capacidade de invenção e resiliência das comunidades que, diante da adversidade, desenvolvem tecnologias sociais e práticas inovadoras para suprir suas necessidades. Essa “sevirologia” — a arte de se virar — transforma desafios em oportunidades, promovendo economias solidárias e redes de cuidado mútuo que contrariam modelos isolacionistas e predatórios.
Essas iniciativas incluem:
Economias de solidariedade: troca e cooperação que fortalecem a autonomia local.
Sistemas colaborativos de cuidado: estruturas comunitárias para apoio social e ambiental.
Tecnologias sociais adaptadas: soluções práticas e acessíveis para saneamento, habitação e mobilidade.
Essas práticas ressaltam que a inovação para a emergência climática não está restrita aos centros tecnológicos ou às negociações diplomáticas, mas brota da vivência e do conhecimento acumulado nas periferias.
Descolonização e justiça climática: caminhos para o futuro
A justiça climática só será efetiva se incorporar um olhar descolonial que amplie o reconhecimento das múltiplas identidades, territórios e saberes. Essa perspectiva valoriza a experiência de povos tradicionalmente marginalizados e reforça o direito à palavra e à autonomia desses grupos.
A COP30 representa uma oportunidade para:
Reconhecer territórios e saberes periféricos: valorizando as soluções locais.
Garantir protagonismo comunitário: fortalecendo a participação nas decisões climáticas.
Promover a equidade socioambiental: combatendo as zonas de sacrifício e a segregação.
Serviço e segurança: o papel do Estado e da sociedade
Além das comunidades, é fundamental que políticas públicas e o poder público ofereçam suporte efetivo para ampliar a infraestrutura, saneamento e segurança ambiental em áreas periféricas. A mobilização social e o apoio técnico podem potencializar as iniciativas locais, promovendo um desenvolvimento sustentável e inclusivo.
A COP30 em Belém reforça que a luta pela justiça climática é inseparável da luta contra as desigualdades históricas. O futuro da Amazônia e do planeta depende da valorização do poder da favela como agente essencial para a transformação socioambiental.
—
Para inspirar esta reflexão, a música “A Ordem Natural das Coisas”, de Emicida, foi sugerida como trilha sonora para acompanhar a construção de novos caminhos.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
Fonte: Governo Federal










