Enquanto o Brasil registra o maior índice de abstinência alcoólica desde o início do levantamento do CISA (Centro de Informações sobre Saúde e Álcool), o Tocantins enfrenta uma realidade alarmante. Uma pesquisa da Ipsos-Ipec revelou que 64% dos brasileiros não consomem bebidas alcoólicas, um aumento de 9 pontos percentuais em relação a 2023, indicando uma tendência nacional de afastamento do álcool.
O estudo aponta para um crescimento significativo da abstinência entre jovens de 18 a 34 anos, especialmente entre os mais escolarizados, residentes em regiões metropolitanas e pertencentes às classes A e B. Contudo, o consumo abusivo persiste como uma preocupação, particularmente no Tocantins, que registra uma das maiores taxas de mortalidade associadas ao uso nocivo do álcool.
De acordo com a publicação “Álcool e a Saúde dos Brasileiros: Panorama 2025”, o Tocantins registrou, em 2023, uma taxa de 41,9 mortes por 100 mil habitantes atribuídas ao álcool, superando a média nacional de 34,5. O estado figurou entre os mais afetados, atrás apenas de Espírito Santo, Piauí e Paraná, evidenciando a urgência de ações específicas para a região.
Adicionalmente, o estudo identificou um aumento nas internações relacionadas ao álcool em todo o país. Em 2024, foram registradas 418.467 hospitalizações, um aumento de 24,2% em comparação com 2010. Embora estados como Paraná, Espírito Santo e Mato Grosso do Sul liderem as taxas de internações, o Tocantins mantém índices que demandam atenção redobrada por parte das autoridades de saúde pública.
Um ponto crítico é a percepção distorcida entre os bebedores abusivos, onde 82% acreditam consumir álcool de forma moderada. Para Arthur Guerra, psiquiatra e presidente do CISA, essa falta de percepção dificulta o reconhecimento dos riscos e a adoção de hábitos mais saudáveis. “Beber muito e não sentir os efeitos do álcool não é sinal de resistência, mas sim um alerta de que o organismo está cada vez mais tolerante, o que pode agravar os danos à saúde”, alerta Guerra.
Diante desse cenário, os dados reforçam a necessidade de políticas públicas eficazes voltadas à prevenção e ao tratamento de transtornos relacionados ao uso do álcool, especialmente no Tocantins e em outros estados com altas taxas de mortalidade. O foco deve ser direcionado a homens de 25 a 44 anos, perfil mais associado ao consumo pesado, conforme aponta a pesquisa.
Fonte: http://soudepalmas.com.br










