Conselho de Ética: Renato Freitas é suspenso por 30 dias; caso vai à CCJ

Parecer da deputada Marcia Huçulak foi aprovado por unanimidade e se refere à atuação de Freitas durante protesto realizado dentro da Assembleia Legislativa em junho de 2024

O Conselho de Ética da Assembleia Legislativa do Paraná (ALEP) aprovou, nesta terça-feira (1), a suspensão das prerrogativas parlamentares do deputado estadual Renato Freitas (PT). A decisão tem como base uma representação apresentada pelos deputados Delegado Tito Barichello (União Brasil) e Ricardo Arruda (PL), que acusam Freitas de abuso das prerrogativas parlamentares durante uma manifestação realizada dentro do plenário da ALEP, em junho de 2024.

Relatório pede a suspensão por 30 dias do deputado Renato Freitas (Foto: Reprodução/ Redes Sociais)

Segundo as representações, Freitas teria se aproveitado de sua condição de depuatdo para facilitar a entrada de manifestantes na sede da Assembleia e liderar um protesto que, na visão dos autores das denúncias, feriu o decoro e atrapalhou o funcionamento da Casa. O ato, que teve forte repercussão política e midiática na época, contou com faixas, falas em tom de denúncia e ocupação de espaços internos do Parlamento, além de depredação do patrimônio público.

A relatora do caso, deputada Marcia Huçulak (PSD), acatou integralmente os argumentos apresentados na representação e concluiu que houve quebra de decoro. Durante a leitura de seu parecer, Marcia afirmou que Freitas extrapolou os limites das prerrogativas parlamentares ao usar o mandato para impulsionar uma ação que violou normas internas e gerou constrangimento a servidores e parlamentares. “A atitude do deputado impediu que os demais parlamentares continuassem no recinto por ameaças”, argumentou.

Com a aprovação do relatório, Freitas perde temporariamente o direito de exercer prerrogativas parlamentares que incluem a entrada livre em órgãos públicos e estabelecimentos prisionais, a condução de diligências externas e o acesso ampliado a informações e espaços da administração pública. O tempo da suspensão está definido em 30 dias, mas a matéria agora vai para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e na sequência para plenário, onde todos os deputados da Casa terão que aprovar o parecer por maioria simples.

Renato se manifesta

O deputado tem afirmado que sua atuação está amparada na liberdade de expressão e no dever institucional de fiscalizar e denunciar injustiças. Segundo ele, o protesto dentro da ALEP foi pacífico e buscava chamar atenção para temas sociais urgentes, especialmente as mudanças propostas pelo governo estadual em relação à precarização da educação.

A votação do parecer na CCJ ainda não tem data definida, mas deve ocorrer nas próximas semanas. Caso seja confirmado pelos demais deputados, o afastamento das prerrogativas terá validade imediata.

A medida aprovada não implica em perda de mandato nem impede o exercício do cargo, mas limita temporariamente a atuação institucional do deputado. É a primeira vez que o Conselho de Ética aplica esse tipo de sanção a um parlamentar.

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