Damião Santos Oliveira, doutor em Educação, tece uma poderosa reflexão sobre a Consciência Negra no Brasil, partindo de suas raízes no Bairro Botequim, em Estância. Sua trajetória, da periferia à universidade, ilustra como a educação pode ser um instrumento de transformação e ascensão social. No entanto, ele adverte: as conquistas recentes não obscurecem a persistente desigualdade racial no país.
Oliveira destaca que a população negra, embora maioria, ainda sofre com a violência, o desemprego e a marginalização. “A cada chacina, como a que vimos recentemente no Rio de Janeiro, o Estado reafirma o que já sabemos: ele só chega inteiro quando vem armado”, lamenta o autor, criticando o descarte de planos de redução da letalidade policial.
O autor expande a análise, mostrando que o crime não se limita às favelas, mas se estende aos centros financeiros e políticos, onde se articulam esquemas de financiamento do tráfico e da indústria de armas. “A engrenagem da morte também veste terno”, denuncia Oliveira, expondo a face oculta do poder.
Reconhecendo a África como berço da história, da ciência e da arte, Oliveira celebra as manifestações culturais afro-brasileiras como formas de resistência e memória. “Quando o povo preto canta, não é só música – é memória”, afirma, exaltando o samba, a capoeira e outras expressões culturais como símbolos de sobrevivência.
Para Oliveira, a consciência racial é um processo contínuo e desafiador, que exige o reconhecimento da própria beleza em um país que insiste em negá-la. “Crescer preto é aprender a se amar num país que insiste em negar a tua beleza. Por isso, o letramento racial é urgente: ele é cura e escudo, alimento e fogo”. A educação, nesse contexto, surge como a mais poderosa ferramenta de transformação social.
Em um chamado à ação, Oliveira conclui que a Consciência Negra transcende o feriado, incendiando corações e mentes. “Consciência sem ação é só palavra”, enfatiza. Para ele, é preciso lutar por justiça, igualdade e pelo direito de cada jovem negro a um futuro digno, onde o sangue não seja mais moeda de troca. A obra de Djamila Ribeiro, “Pequeno manual antirracista”, é recomendada para aprofundar a reflexão sobre o tema.
Fonte: http://infonet.com.br










