Novo pagamento de US$ 1,6 milhão ocorre após cobrança do senador ao banqueiro, revelam documentos e mensagens

Relatório do Coaf revela pagamento extra de US$ 1,6 milhão feito por Daniel Vorcaro ao fundo responsável pelo filme 'Dark Horse', oito dias após cobrança de Flávio Bolsonaro.
O recente relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) derruba a narrativa oficial oferecida pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) sobre o financiamento do filme ‘Dark Horse’. Segundo a revista piauí, o documento comprova um repasse adicional de US$ 1,6 milhão feito pelo banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, em setembro de 2025 — valor este que até então não havia sido admitido publicamente.
Repasse extra após cobrança direta
O pagamento passou despercebido até que a revista teve acesso a mensagens entre Vorcaro e o publicitário Thiago Miranda, que atuou na captação dos recursos. Nelas, Miranda questiona Vorcaro sobre a liberação das parcelas do filme, ao que o banqueiro responde ter liberado mais uma parcela naquele dia. O contexto dessas conversas reforça a existência de uma pressão explícita do senador Flávio Bolsonaro, que em áudio enviado ao banqueiro alerta para a necessidade de honrar compromissos financeiros na reta final do projeto, sob risco de ‘perder tudo’.
Contradição na versão oficial e impacto político
Essa revelação contradiz frontalmente a declaração pública do senador, que afirmara que o último repasse havia sido em maio de 2025. A exposição do repasse oculto e a troca de mensagens indicam não apenas uma tentativa de encobrir valores extras, mas também jogam luz sobre um esquema de financiamento que envolve forte articulação política e financeira. A falta de respostas de Flávio Bolsonaro, do banqueiro e da produtora do filme apenas amplia o desgaste e aprofunda as dúvidas sobre a transparência do projeto.
Bastidores que revelam mais do que cinema
O caso ‘Dark Horse’ transcende a mera produção cultural: é um retrato da relação entre política e dinheiro em Brasília, com o nome do candidato do PL à Presidência manchado por essas movimentações nebulosas. A pressão para liberar recursos extras pouco antes do fim da campanha sinaliza um esforço intenso para manter aparências e compromissos financeiros dentro do grupo político.
No cenário que se desenha, o relatório do Coaf e as mensagens obtidas pela piauí colocam o senador Flávio Bolsonaro em posição cada vez mais desconfortável, pressionado a esclarecer as contradições e os repasses adicionais que até então negava. O desgaste político promete repercussão no debate público e no ambiente eleitoral que se aproxima.









