CDC altera site e inclui posições antivacinas em meio a controvérsia


Mudança levanta preocupações entre cientistas e especialistas em saúde pública

CDC altera site e inclui posições antivacinas em meio a controvérsia
Mulher recebe dose de vacina. Foto: Tibor Illyes/AFP

Mudança no site do CDC, que inclui posições antivacinas, gera indignação entre especialistas.

CDC altera site e inclui posições antivacinas

Na noite de quarta-feira (19), o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos fez uma atualização polêmica em seu site oficial ao afirmar que vacinas têm relação com o transtorno do desenvolvimento conhecido como autismo. Essa mudança contradiz as informações anteriores e reflete o ceticismo do secretário de Saúde do governo Trump, Robert F. Kennedy Jr., em relação às vacinas. Essa decisão gerou críticas imediatas de médicos e especialistas em saúde pública.

Reações da comunidade científica

Pesquisas robustas ao longo dos anos demonstraram que não existe uma ligação causal entre vacinas e autismo. No entanto, Robert F. Kennedy Jr. tem promovido afirmações infundadas que sustentam essa associação, agora inserindo suas opiniões nas recomendações oficiais do CDC. O site anteriormente afirmava que estudos não mostravam “nenhuma ligação entre receber vacinas e desenvolver o transtorno do espectro autista”, citando pesquisas, incluindo um estudo de 2013 da própria agência, que corroboravam essa posição.

A atualização agora inclui informações que alegam que os estudos não descartam a possibilidade de que “as vacinas infantis causem autismo”. Esse novo texto afirma que as autoridades de saúde “ignoraram” pesquisas que apoiam essa teoria, além de mencionar que o Departamento de Saúde está realizando uma avaliação abrangente das causas do autismo.

A desinformação e suas consequências

A falsa teoria que relaciona a vacina contra sarampo, caxumba e rubéola ao autismo originou-se de um estudo de 1998, posteriormente descreditado por conter dados falsificados. Essa mudança no conteúdo do site do CDC gerou temor e indignação entre cientistas e autoridades de saúde pública que têm combatido a desinformação, incluindo funcionários da própria agência. Muitos expressam preocupações sobre as implicações que essa decisão pode ter sobre a saúde pública.

Helen Tager-Flusberg, diretora do Centro de Excelência em Pesquisa sobre o Autismo da Universidade de Boston, descreveu as alterações como “terrivelmente perturbadoras”, afirmando que essa mudança pode resultar em um aumento significativo de doenças infantis. Demetre Daskalakis, ex-diretor da divisão do CDC dedicada à vacinação, criticou a atualização, afirmando que o site foi modificado para gerar caos sem fundamento científico.

A resposta da comunidade médica

A presidente da Academia Americana de Pediatria, Susan Kressly, exigiu que o CDC interrompesse a disseminação de informações falsas que colocam em risco a saúde infantil. Após citar “40 estudos de alta qualidade”, Kressly enfatizou que a conclusão é clara: não há relação entre vacinas e autismo. Por outro lado, o grupo antivacinas Children’s Health Defense elogiou a revisão do conteúdo, com a diretora-executiva, Mary Holland, agradecendo a Kennedy pela mudança.

As atualizações no site do CDC não apenas geraram polêmica, mas também levantaram questões sobre a influência política nas diretrizes de saúde pública e a responsabilidade das autoridades sanitárias em manter a confiança pública nas vacinas, que são fundamentais para a saúde infantil e a prevenção de surtos de doenças.

Fonte: www1.folha.uol.com.br

Fonte: Tibor Illyes/AFP


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