Pré-candidato ao Senado, Carlos aponta militarização como equívoco da gestão Jair Bolsonaro e promete mudança no modelo do irmão Flávio

Carlos Bolsonaro classificou a militarização do governo do pai como um dos maiores erros da gestão, destacando que a presença excessiva de militares em cargos civis gerou problemas institucionais e políticos.
Carlos Bolsonaro (PL-SC), pré-candidato ao Senado por Santa Catarina, não poupou críticas ao governo do pai, Jair Bolsonaro, ao reconhecer que a militarização foi um dos maiores equívocos da gestão. Em evento realizado em Timbó (SC), no dia 26 de junho, Carlos afirmou que “não tinha ninguém que ele conhecia que não fosse das Forças Armadas”, classificando essa estratégia como um acidente político decorrente da falta de estrutura por trás do ex-presidente.
Militarização: erro que expôs fragilidades do governo Bolsonaro
O aumento expressivo da presença militar em cargos civis do governo federal, especialmente nas áreas estratégicas de Saúde, Economia e Meio Ambiente, gerou críticas contundentes e desgaste institucional. Dados do Ipea apontam que, entre 2013 e 2021, o número de militares em posições comissionadas quase triplicou, passando de 370 para 1.085, com destaque para ministérios críticos à gestão Bolsonaro.
Carlos também deixou claro que o irmão, o senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ), não seguirá esse modelo. “Hoje eu tenho a certeza absoluta que o Flávio não fará essa militarização em torno de si, mas de pessoas realmente técnicas. Pessoas que entendem o movimento e não são positivistas como eram os militares”, afirmou.
Militarização sob fogo cruzado e impacto político
A crítica interna revela o desgaste crescente da estratégia que priorizou militares em cargos estratégicos, associada a erros de gestão e conflitos políticos. A presença de militares no Ministério da Economia saltou de 1 para 84 entre 2013 e 2021; na Saúde, sob comando do general Eduardo Pazuello durante a pandemia, subiu de 7 para 40; e no Meio Ambiente, de 1 para 21 militares, evidenciando o comprometimento técnico e a politização excessiva desses setores.
Essa reavaliação pública de Carlos Bolsonaro expõe fissuras internas na base bolsonarista e sugere tentativas de reposicionamento para a próxima disputa eleitoral, com foco em um discurso mais técnico e menos militarizado. A declaração também provoca reflexões sobre o impacto da militarização no desgaste político e institucional do governo Jair Bolsonaro.









