A deputada federal Carla Dickson (União Brasil) avalia a possibilidade de migrar para o PL, em meio a um crescente desconforto com sua atual legenda. A decisão sobre seu futuro partidário deve ser tomada nos próximos dias, conforme declarado pela própria parlamentar. O principal motivo da insatisfação seria o posicionamento de lideranças do União Brasil em relação a parlamentares que promoveram obstruções na Câmara dos Deputados.
A gota d’água para a deputada foi a manifestação do senador Ciro Nogueira (PP), partido que integra uma federação com o União Brasil, favorável à punição dos deputados envolvidos nas obstruções. “Algo que me deixou muito desconfortável foi o posicionamento de Ciro Nogueira, que não assinou o impeachment [do ministro do STF Alexandre de Moraes] e foi a favor da nossa punição”, declarou Carla Dickson em entrevista à rádio Cidade. “Fiquei bem decepcionada”, complementou.
Carla Dickson revelou que tem mantido conversas com lideranças do PL, como o senador Rogério Marinho e o presidente nacional da legenda, Valdemar Costa Neto. Paralelamente, a deputada também dialoga com o ex-senador José Agripino (União Brasil), buscando alternativas para sua situação. “Primeiro caminho é União Brasil. Ou PL. Outra alternativa não tem”, afirmou, ressaltando que a decisão final dependerá das negociações com as cúpulas nacional e estadual de seu partido.
Um dos fatores que pesam na decisão de Carla Dickson é a dificuldade de disputar a reeleição para a Câmara dos Deputados pelo União Brasil. A parlamentar reconhece a presença de adversários com forte estrutura política dentro da legenda, como a secretária de Assistência Social de Natal, Nina Souza. “Para mim fica mais difícil ainda, porque é outra mulher, forte, inteligentíssima e com a máquina da Prefeitura”, avaliou.
Além de Nina Souza, outros nomes considerados competitivos dentro da federação União Progressista incluem Benes Leocádio (União Brasil), João Maia e Robinson Faria (PP). No PL, Carla Dickson enfrentaria a concorrência dos deputados General Girão e Sargento Gonçalves, que também disputarão a reeleição. Em 2022, Carla Dickson foi a terceira mais votada do União Brasil e assumiu o mandato após a renúncia de Paulinho Freire, atual prefeito de Natal.
Durante a entrevista, Carla Dickson também abordou as articulações para a sucessão ao Governo do Rio Grande do Norte em 2026. Ela citou o prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União), o senador Rogério Marinho (PL) e o ex-prefeito de Natal Álvaro Dias (Republicanos) como possíveis candidatos do campo de centro-direita. Segundo a deputada, Allyson Bezerra se mostrou disposto a se descompatibilizar do cargo de prefeito para disputar o governo estadual.
A deputada também comentou sobre as obstruções na Câmara dos Deputados, motivadas pela demanda por anistia aos presos pelos atos de 8 de janeiro e por mudanças nas regras do foro privilegiado. Ela criticou a atuação do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do ministro do STF Alexandre de Moraes, acusando-os de não cumprirem promessas e de seletividade na defesa dos direitos humanos. Carla Dickson relatou ter recebido ameaças de morte em decorrência de sua participação nas obstruções, e o caso está sendo investigado pela Polícia Legislativa e pela Secretaria da Mulher.
Fonte: http://agorarn.com.br





