Uma auditoria do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) lançou nova luz sobre a queda do avião da Voepass em Vinhedo (SP), que resultou na morte de 62 pessoas em agosto do ano passado. O relatório aponta o cansaço da tripulação como um fator que pode ter contribuído para o trágico acidente, revelando possíveis irregularidades nas escalas de trabalho. A análise do MTE se concentrou nos horários de trabalho do piloto e copiloto entre 1º de maio e 9 de agosto, data da queda da aeronave.
A auditoria detalha que a empresa aérea pode ter comprometido o descanso adequado da tripulação ao montar escalas que infringiam as normas trabalhistas. Segundo o ministério, essa redução no tempo de repouso “pode ter causado cansaço em um nível capaz de prejudicar a concentração e o tempo de reação dos profissionais.” O MTE enfatiza que este é um fator que, somado a outras possíveis causas, pode ter culminado no acidente com o voo 2283.
Para verificar o cumprimento dos períodos de descanso, o MTE analisou os registros de entrada e saída da tripulação em hotéis. A investigação revelou a falta de controle efetivo da jornada de trabalho, bem como o descumprimento dos limites de jornada e dos períodos mínimos de descanso previstos na legislação. Essa constatação levou à aplicação de dez multas à Voepass, totalizando aproximadamente R$ 730 mil.
Além das multas, a Voepass foi notificada por um débito superior a R$ 1 milhão referente ao FGTS de seus funcionários. Em abril deste ano, a empresa já havia entrado com pedido de recuperação judicial, declarando dívidas de R$ 429 milhões. Fundada em 1995 sob o nome “Passaredo”, a Voepass ainda não se manifestou sobre as conclusões da auditoria do MTE até o momento da publicação desta reportagem.
Paralelamente, um relatório do Centro Nacional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) indicou possíveis falhas no sistema de degelo da aeronave, um modelo ATR-72. O relatório aponta que a aeronave enfrentou condições climáticas favoráveis à formação de gelo, e o sistema de degelo foi acionado e desativado repetidamente. Também foram registrados alertas de baixa velocidade de cruzeiro e performance degradada, o que pode indicar acúmulo de gelo e consequente redução da capacidade de voo.
Fonte: http://odia.ig.com.br










