Campanha de Lula pede ao TSE exclusão do ‘Exército do Lula’ do registro de candidatura


Defesa argumenta que não controla o canal e questiona vínculo oficial após inclusão do petista como administrador

Campanha de Lula pede ao TSE exclusão do 'Exército do Lula' do registro de candidatura
Print do canal de WhatsApp 'Exército do Lula', que virou foco de questionamentos no TSE — Foto: Reprodução/WhatsApp/Exército do Lula

A campanha do presidente Lula solicitou ao TSE a exclusão do canal de WhatsApp 'Exército do Lula' do registro oficial de campanha, alegando falta de administração sobre o conteúdo.

A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) protocolou nesta quinta-feira (22) no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) um pedido para que seja cancelada a anotação do canal de WhatsApp chamado “Exército do Lula” como canal oficial de comunicação da campanha presidencial. A solicitação foi apresentada no mesmo dia em que o deputado federal André Janones (Rede-MG), criador do canal, anunciou publicamente que incluiu o presidente Lula como administrador do grupo.

Em vídeo divulgado após a inclusão, Lula convidou seus apoiadores para participar ativamente do canal: “Eu quero todo o exército do Lula pronto, porque a batalha vai ser dura e nós vamos derrotar os adversários. Estejam preparados. Às dezenove horas, a live do marechal e do general discutindo com seu exército. Vamos lá, gente!”

A petição da defesa presidencial sustenta que o canal foi registrado inicialmente sob a exigência do presidente do TSE, ministro Nunes Marques, que condicionou seu funcionamento ao registro na ficha de candidatura. Posteriormente, o mesmo ministro autorizou que o cancelamento da anotação fosse solicitado a qualquer momento pela campanha do petista.

“A campanha presidencial do ora peticionário não dispõe de acesso de administração, não publica, não edita e não remove nada no canal”, afirma a petição, indicando que não exerce controle sobre o conteúdo divulgado.

O parlamentar André Janones tem atuado na linha de frente contra o adversário Flávio Bolsonaro (PL), distribuindo “tarefas” para a militância reverter a vantagem do candidato do PL no primeiro turno.

O canal “Exército do Lula” esteve no centro de uma disputa jurídica entre o presidente do TSE, Nunes Marques, e o corregedor-geral Eleitoral, Ricardo Villas Bôas Cueva. Eles divergiram sobre a suspensão ou manutenção do canal após pedidos da campanha de Flávio Bolsonaro e ações administrativas envolvendo a Presidência do TSE.

Em 16 de outubro, o plenário do TSE aprovou resolução para diferenciar canais oficiais de campanha de canais de terceiros, estabelecendo critérios claros para vinculação, entre eles:

  • Uso de recursos financeiros da campanha;
  • Troca habitual de material ou equipe entre campanha e canal;
  • Uso de suporte técnico da campanha;
  • Divulgação do canal por perfis oficiais da campanha;
  • Atuação coordenada para direcionar seguidores ao canal;
  • Orientação da campanha sobre conteúdo e metas das publicações.

A resolução também esclarece que votos de apoio político espontâneo ou participação isolada do candidato não configuram vínculo oficial.

Na última decisão relacionada, o ministro Nunes Marques atendeu a pedido da campanha de Flávio e deu prazo de 24 horas para que a Meta, empresa responsável pelo WhatsApp, forneça relatório técnico detalhado com dados sobre o funcionamento do canal “Exército do Lula”. O relatório deve conter informações sobre horários de atividade, existência de publicidade paga, engajamento artificial e mensagens enviadas ou excluídas, para verificar possível atuação coordenada que configure vínculo com a campanha petista.

A apuração desses dados deve ser concluída nesta sexta-feira (23), e pode influenciar decisões futuras do TSE a respeito do registro e da vinculação do canal à campanha do presidente Lula.

Fonte: gazetadopovo.com.br


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