Caiado defende que governadores não dependem de escolha de Bolsonaro para disputar 2026


Governador de Goiás reafirma pré-candidatura e diz que direita terá múltiplos nomes no primeiro turno

O cenário político da direita em 2026 começa a ganhar novos contornos. O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil), declarou nesta segunda-feira (18) que os governadores não precisam aguardar a escolha ou aval do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para lançar suas pré-candidaturas ao Palácio do Planalto.

Caiado
Foto: Fátima Meira/Futura Press/Estadão Conteúdo

Em entrevista à GloboNews, Caiado reforçou que o jogo político é democrático e não comporta a ideia de um “candidato único” no campo da direita. “Não pode mais pairar nenhuma dúvida em relação a esse assunto. Todos nós somos pré-candidatos. Nenhum outro candidato, neste momento, vai cancelar a pré-candidatura de outro”, afirmou.

Autonomia dos governadores da direita

O governador goiano defendeu que cada liderança da direita tem legitimidade para se colocar no processo eleitoral. Para ele, a disputa deve ser travada em um primeiro turno aberto, no qual os nomes mais fortes sejam escolhidos pela população.

“O jogo político é democrático. Você não tem reserva de mercado. Todos que quiserem se colocar no jogo podem se colocar. Quem tiver mais competência e mais votos chega ao segundo turno”, destacou.

Caiado também reforçou que “não existe candidato universal” para o campo da direita, defendendo que a pluralidade de candidaturas é a forma correta de respeitar a democracia. Segundo ele, a pressão por unificação precoce em torno de um único nome apenas favorece a esquerda.

Tensão com o bolsonarismo

As falas de Caiado ocorrem em meio a tensões com o núcleo bolsonarista. Na semana passada, o vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ) chamou governadores que se afastam de seu pai de “ratos” e “oportunistas”.

Questionado sobre a publicação, Caiado minimizou a polêmica e classificou a reação como um desabafo pessoal. “Entendo esse desabafo e esse desespero de um filho que vê o pai em prisão domiciliar sem sequer ser julgado”, afirmou.

Apesar disso, o governador deixou claro que esse tipo de crítica não deve interferir na condução do processo político. Para ele, a construção de alternativas dentro da direita é inevitável diante da situação de Bolsonaro, inelegível até 2030 e com julgamento previsto para setembro por participação na tentativa de golpe de 8 de janeiro de 2023.

Multiplicidade de candidaturas

Caiado já havia lançado sua pré-candidatura em abril e insiste que não abrirá mão do projeto em favor de outro governador, como Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP). “Por um motivo muito simples: tudo que o governo federal quer é um candidato só (representando a direita). Já imaginou um candidato só contra o Lula no primeiro turno? É o presente que ele quer. Aí ele vai massacrar esse cara”, declarou.

A postura de Caiado acompanha a de outros líderes estaduais. O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), também oficializou sua pré-candidatura ao Planalto no último sábado (16). Esse movimento conjunto reforça a ideia de que a direita em 2026 não será representada por uma única candidatura, mas por diferentes nomes em busca de espaço no cenário nacional.

Fragmentação e disputa interna

O reposicionamento da direita demonstra um processo de emancipação em relação a Bolsonaro. Mesmo diante da popularidade do ex-presidente entre parte do eleitorado conservador, governadores avaliam que chegou o momento de abrir caminhos próprios.

O cálculo político de Caiado e Zema é o de que o primeiro turno sirva como filtro para medir forças, permitindo que o segundo turno seja o espaço de união contra o candidato governista. Essa estratégia, no entanto, pode se transformar em um risco: a fragmentação excessiva pode reduzir as chances de avanço de qualquer nome da direita.

Desafios para 2026

O discurso de Caiado reflete uma tendência mais ampla: a tentativa de reconstrução da direita sem depender exclusivamente da família Bolsonaro. A consolidação de lideranças regionais em escala nacional passa a ser vista como alternativa diante da incerteza jurídica e política que envolve o ex-presidente.

Entretanto, o desafio está em equilibrar autonomia e unidade. Se por um lado a multiplicidade de candidaturas fortalece o debate interno e permite novas lideranças, por outro pode dificultar a convergência no momento decisivo. Caiado aposta que o eleitorado fará essa triagem no primeiro turno, mas resta saber se o campo da direita conseguirá se unir de forma efetiva na etapa final da disputa presidencial.

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