O presidente de El Salvador, Nayib Bukele, respondeu às críticas sobre a recente aprovação da reeleição presidencial ilimitada no país. Segundo Bukele, as reações negativas são injustificadas e motivadas pelo fato de El Salvador ser uma nação “pequena e pobre”. A controversa reforma constitucional, aprovada pelo Congresso dominado pelo governo, também estende o mandato presidencial de cinco para seis anos e elimina o segundo turno eleitoral.
Em sua defesa, Bukele argumenta que muitos países desenvolvidos permitem a reeleição indefinida de seus líderes sem gerar alarde. Ele questiona o “padrão duplo”, sugerindo que as críticas são um pretexto para impedir que El Salvador exerça sua soberania. “O problema não é o sistema, e sim o fato de que um país pobre se atreve a agir como um país soberano”, declarou em sua conta na rede social X.
A decisão legislativa provocou forte reação de organizações internacionais de direitos humanos. A Anistia Internacional, Human Rights Watch (HRW) e o Escritório em Washington para Assuntos Latino-Americanos (WOLA) manifestaram preocupação, classificando a medida como um golpe à democracia e uma manobra para perpetuar Bukele no poder. Essas entidades temem um retrocesso nos direitos e liberdades civis no país.
Bukele, apesar das acusações de autoritarismo, goza de alta popularidade em El Salvador, impulsionada por sua política de combate às gangues. A chamada “guerra” contra o crime organizado resultou em uma drástica redução da violência, embora tenha sido acompanhada de medidas controversas, como o regime de exceção que permite prisões em massa sem mandado judicial e restringe liberdades fundamentais.
A aprovação da reeleição ilimitada ocorre em um contexto de crescente repressão a opositores e críticos do governo. Denúncias de prisões arbitrárias, intimidação e exílio forçado de jornalistas e ativistas humanitários lançam dúvidas sobre o futuro da democracia em El Salvador e acentuam a polarização política no país.
Fonte: http://odia.ig.com.br










