Brasileiras protagonizam diferentes versões do balé giselle em Londres


Fernanda Oliveira e Mayara Magri interpretam o clássico com abordagens distintas no Royal Ballet e English National Ballet

Brasileiras protagonizam diferentes versões do balé giselle em Londres
Fernanda Oliveira e Mayara Magri brilham nas versões do balé Giselle em Londres. Foto: Andrej Uspenski/Divulgação

Duas brasileiras interpretam o balé Giselle em Londres, apresentando versões clássicas e contemporâneas que renovam o clássico fantasmagórico.

Confira a programação completa das montagens de Giselle em Londres

Royal Ballet, Royal Opera House: Estreia com Mayara Magri no papel de Giselle – a partir de sábado, 28 de fevereiro.
English National Ballet, Teatro Coliseum: Apresentações de Fernanda Oliveira como Giselle na temporada comemorativa de 25 anos.

A importância do balé Giselle na cena cultural londrina

O balé Giselle, criado em 1841 por Adolphe Adam, permanece um marco do repertório clássico, ganhando releituras que mantêm sua vigência. Em Londres, o espetáculo ressurge em versões contrastantes, ambas protagonizadas por brasileiras, que trazem ao público perspectivas renovadas sobre a obra. Mayara Magri, primeira-bailarina do Royal Ballet, destaca a pureza e a tragédia da personagem original, enquanto Fernanda Oliveira explora a dimensão social e contemporânea de Giselle.

Análise das interpretações de Mayara Magri e Fernanda Oliveira

Mayara Magri interpreta Giselle seguindo a montagem clássica concebida por Peter Wright em 1985, que mantém o enredo tradicional, com uma modificação: a protagonista comete suicídio ao invés de morrer de coração partido. Magri enfatiza o drama e a técnica quase bicentenária exigidos pelo papel. Por outro lado, Fernanda Oliveira apresenta uma Giselle imigrante e operária, em uma montagem de 2016 assinada por Akram Khan que mistura o balé clássico com elementos da dança contemporânea e kathak, refletindo temas atuais como imigração e divisão social.

Contexto social e político nas versões de Giselle

Ambas as produções introduzem elementos que dialogam com questões sociais contemporâneas. A versão de Oliveira usa uma ambientação industrial e um muro simbólico para representar a segregação social e a realidade dos imigrantes. Já a montagem de Wright, interpretada por Magri, destaca a injustiça social e a vingança das Willis, espíritos femininos que refletem uma leitura feminista da trama. Essa abordagem renova o fascínio pelo balé, conectando-o a debates atuais sobre classe, gênero e poder.

Desafios técnicos e artísticos enfrentados pelas bailarinas brasileiras

Além da complexidade técnica de um balé com raízes históricas, as protagonistas enfrentam desafios na interpretação dramática. Magri destaca a dificuldade de harmonizar técnica rigorosa com a expressividade emocional necessária para o papel. Oliveira, que sofreu uma grave lesão no joelho aos 35 anos, fala sobre a adaptação física e a gestão do corpo para manter a performance ao longo dos anos. Ambas expressam como suas experiências pessoais e trajetórias influenciam a forma como vivem e transmitem a personagem Giselle.

Impacto cultural e recepção do público nas apresentações

As duas versões do balé Giselle têm atraído grande público em Londres, com ingressos esgotados rapidamente. A mistura entre tradição e inovação tem sido um fator de sucesso, ampliando o interesse pelo balé em diferentes públicos. As interpretações das brasileiras são celebradas por sua profundidade e autenticidade, reafirmando a relevância do balé como expressão artística que transcende o tempo e aborda temas universais.

Fonte: www1.folha.uol.com.br

Fonte: Andrej Uspenski/Divulgação


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