Redução histórica da mortalidade neonatal e infantil evidencia avanços em saúde e desafios regionais persistentes

Brasil alcança menor índice de mortalidade infantil em 34 anos, com avanços na saúde neonatal e desafios regionais destacados pelo Unicef.
Brasil alcança menor índice de mortalidade infantil em 34 anos, aponta Unicef
Em 2024, o Brasil registrou o menor índice de mortalidade infantil em 34 anos, segundo dados divulgados pelo Unicef. A queda significativa na mortalidade neonatal, que ocorreu nos primeiros 28 dias de vida, e na mortalidade de crianças menores de cinco anos, evidencia o avanço das políticas públicas em saúde. Luciana Phebo, chefe de saúde do Unicef no Brasil, destaca o país como um exemplo positivo na tendência global de redução dessas taxas preocupantes.
Principais causas da mortalidade infantil e neonatal no Brasil em 2024
A prematuridade foi a principal causa de morte entre os recém-nascidos, seguida de anomalias congênitas e complicações no parto. Para reduzir essas mortes, a atenção ao pré-natal é fundamental, com recomendações de pelo menos sete consultas durante a gestação. Já entre crianças que ultrapassaram o período neonatal, as causas são frequentemente relacionadas a fatores externos, como doenças infecciosas, ressaltando a importância da cobertura vacinal para evitar enfermidades como o sarampo.
Desafios regionais e grupos vulneráveis permanecem
Apesar dos progressos, a redução no índice de mortalidade não ocorre de forma uniforme. A Região Norte do Brasil ainda apresenta focos de alta mortalidade infantil. Crianças indígenas e quilombolas se mantêm como grupos mais vulneráveis devido às dificuldades de acesso a serviços de saúde adequados, o que exige políticas direcionadas para mitigar essas desigualdades.
Políticas públicas e programas que contribuíram para a redução da mortalidade
O fortalecimento da Atenção Primária à Saúde, via Estratégia Saúde da Família (ESF), tem sido crucial para identificar famílias vulneráveis e ampliar o acesso a serviços médicos e vacinação nas comunidades. O Programa Bolsa Família, com condicionalidades como o calendário vacinal em dia e frequência escolar, contribui diretamente para a prevenção de doenças e melhoria da alimentação infantil. O Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) também garante refeições saudáveis, promovendo a nutrição adequada e combatendo a desnutrição.
A importância do aleitamento materno exclusivo para a saúde infantil
O aleitamento materno até o sexto mês é destacado como uma medida vital para a proteção da criança contra infecções. Considerado a “primeira vacina” que a criança recebe, o leite materno não só nutre, mas também fortalece o sistema imunológico, salvando vidas e reduzindo o risco de mortalidade neonatal e infantil.
Contexto global e recomendações do Unicef para ampliar a sobrevivência infantil
No cenário internacional, aproximadamente 4,9 milhões de crianças menores de cinco anos morreram em 2024, com altas concentrações nas regiões da África Subsaariana e Sul da Ásia. As principais causas globais envolvem complicações da prematuridade, parto, doenças infecciosas, e desnutrição. Para mudar este quadro, o Unicef recomenda que governos priorizem políticas públicas e investimentos em atenção primária à saúde, com foco especial em crianças e mães em contextos vulneráveis, além de garantir a transparência e monitoramento dos dados de mortalidade infantil.
O Brasil, com sua trajetória recente de redução da mortalidade infantil, apresenta um modelo de ações integradas entre saúde, educação e políticas sociais que podem inspirar estratégias eficazes para continuar baixando os índices e reduzir desigualdades no país.
Fonte: noticias.uol.com.br





