Estudo do Instituto Trata Brasil aponta desperdício significativo e distante da meta de 25% até 2034

Estudo revela que Brasil desperdiça 40,3% da água tratada, superando a meta de 25% estabelecida para 2034.
Brasil enfrenta elevado desperdício de água tratada
O Brasil, em um cenário preocupante, perde 40,31% da água tratada que produz, conforme estudo do Instituto Trata Brasil divulgado na segunda-feira (24). Essa estatística alarmante mostra que o país está distante da meta de 25% de perda estipulada para 2034, um objetivo que visa a universalização do saneamento básico.
O levantamento, realizado em parceria com a GO Associados, analisa os dados de 26 estados e do Distrito Federal. Segundo a análise, o percentual de perda de água tratada aumentou em relação ao ano anterior, quando foi registrado 37,78%. No entanto, é importante notar que mudanças na metodologia de cálculo implementadas pelo Governo Federal a partir de 2023 complicam a comparação com dados anteriores.
Causas do desperdício de água tratada
A presidente executiva do Instituto Trata Brasil, Luana Pretto, destaca que o desperdício de água tratado é alarmante, somando 5,8 bilhões de metros cúbicos anualmente, ou 5,8 trilhões de litros. Esse volume poderia abastecer 50 milhões de brasileiros durante um ano, representando um impacto financeiro de cerca de R$ 13 bilhões. As causas desse desperdício incluem ligações clandestinas, erros de medição e, principalmente, vazamentos nas redes de distribuição.
Um dado preocupante é que, em 2023, cerca de três trilhões de litros de água foram perdidos devido a problemas nas redes de captação e distribuição. A região Norte do Brasil apresenta os piores índices, mas também é a que mais se destaca na evolução histórica desses dados. Enquanto em 2019 os estados da região apresentavam perdas de 55,21%, esse número caiu para 49,78% atualmente.
Desigualdade na distribuição das perdas entre regiões
A análise revela que o Nordeste ainda apresenta índices altos, com 46% de desperdício, seguido pelo Sudeste com 38%, Sul com 36% e Centro-Oeste com 34%. Nenhuma região do Brasil está abaixo do índice aceitável de 25%. O estado de Goiás é o único que se aproxima dessa meta, com 25,68% de perdas, enquanto estados como Alagoas, Roraima e Acre registram índices alarmantes, superiores a 60%.
Análise das cidades com maiores e menores perdas
O estudo também avaliou as cem cidades mais populosas do Brasil. Sete das dez cidades com menores perdas hídricas estão em São Paulo. Suzano lidera o ranking com um índice de apenas 0,88%, seguido por Nova Iguaçu (RJ) com 1,89%. Em contrapartida, Maceió (AL) se destaca negativamente, desperdiçando 71% da água tratada que produz, seguida por Belém (PA) e Várzea Grande (MT).
Desafios e soluções para a crise hídrica
A situação é ainda mais preocupante devido ao cenário de estiagem prolongada que o Brasil enfrenta. Muitas cidades têm declarado racionamento de água ou emergência hídrica, com previsão de uma restrição de 3,4% na oferta média de água nos rios por ano. Luana Pretto enfatiza a urgência de investimentos na modernização da infraestrutura hídrica e na redução de perdas, especialmente considerando os efeitos das mudanças climáticas.
O estudo do Instituto Trata Brasil enfatiza a importância de priorizar o saneamento na agenda pública, destacando que existem três grupos de municípios: aqueles que não reconhecem a necessidade de melhorias, os que focam na expansão da rede sem considerar a redução de perdas e aqueles que adotam uma abordagem equilibrada, priorizando a eficiência no uso da água.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
Fonte: Renalle Benício/Divulgação/Renalle Benício/Divulgação










