O Brasil se consolida como protagonista global na agenda ESG (Ambiental, Social e Governança) com a recente divulgação dos relatórios anuais de empresas comprometidas com a Resolução 193 da CVM. Essa iniciativa pioneira sinaliza um avanço significativo na gestão integrada, integrando informações financeiras e sustentabilidade de forma inédita.
A Resolução 193, publicada em outubro de 2023, alinha o país às diretrizes IFRS, colocando o Brasil na vanguarda da regulamentação nacional sobre o tema. Esse movimento estratégico ganhou destaque durante a COP28, onde o Brasil foi apontado como referência para outros países na implementação de normas de sustentabilidade.
Com a COP30 se aproximando em Belém, a transparência em relação aos impactos financeiros das mudanças climáticas se torna crucial. “Reconhecer os impactos financeiros relacionados ao tema é de fundamental importância, dada a crise climática que afeta cada vez mais empresas”, destaca Keyvan Macedo, especialista em mercado de carbono.
A quantificação dos riscos climáticos e a sua incorporação na gestão de riscos empresarial permite a implementação de ações de mitigação e adaptação. A visibilidade desses riscos é fundamental para tornar os negócios mais resilientes às mudanças climáticas e garantir a sua continuidade a longo prazo.
A Resolução CVM 227, que facilita a adoção voluntária das normas IFRS S1 e S2, aprimora a CVM 193 e impulsiona a detecção de práticas de greenwashing. A exigência de assegurações mais robustas por parte das empresas de auditoria, com o mesmo critério adotado nas demonstrações financeiras, eleva o nível de escrutínio e credibilidade.
A materialidade financeira, que direciona o reporte das informações relacionadas à sustentabilidade, prioriza temas com impactos financeiros relevantes. Essa abordagem, embora possa parecer semântica, concentra o foco nos aspectos mais críticos para os negócios, otimizando a divulgação de informações.
O avanço regulatório representa uma mudança fundamental na gestão e governança das empresas brasileiras, independentemente da obrigatoriedade de reporte. O novo marco regulatório, discutido na semana do clima em São Paulo, sinaliza um futuro onde a transparência e a responsabilidade ambiental são pilares da competitividade e sustentabilidade empresarial.










