Medida visa reduzir impacto ambiental do mercúrio

Ministério da Saúde anuncia fim gradual do uso de amálgama em restaurações dentárias até 2030, por causa do mercúrio contido no material.
Na quarta-feira (5), durante a 6ª Conferência das Partes da Convenção de Minamata, o Ministério da Saúde do Brasil anunciou que o uso de amálgamas, material prateado utilizado em restaurações dentárias, será eliminado gradualmente até 2030. O motivo principal é a presença de mercúrio no material, que pode causar contaminação ambiental quando descartado de forma inadequada. Especialistas confirmam que aqueles que já possuem restaurações antigas não precisam se preocupar, pois não há risco à saúde.
Impacto ambiental e saúde dentária
O Brasil reafirmou seu compromisso em reduzir o uso de amálgamas na conferência realizada em Genebra, Suíça. O Ministério defende uma transição segura, garantindo que a população continue a ter acesso a tratamentos odontológicos essenciais oferecidos pelo SUS. Nos últimos cinco anos, a utilização de amálgama caiu de cerca de 5% para 2% dos procedimentos odontológicos, resultando na crescente adoção de materiais alternativos, como resinas compostas e ionômeros de vidro. A proibição imediata do uso de amálgama poderia comprometer a assistência dentária, segundo a pasta.
Opiniões de especialistas
A conselheira do CFO, Bianca Soares Zambiasi, acredita que a decisão é positiva e reflete a evolução das técnicas de restauração dentária. Ela destaca que o amálgama não é mais ensinado nas universidades, sendo substituído por materiais mais estéticos e ambientalmente seguros. O cirurgião-dentista Gustavo Delmondes também enfatiza que o risco associado ao amálgama está no descarte inadequado, não em seu uso. Ele cita que muitos pacientes mantêm restaurações de amálgama há décadas sem complicações.
Desafios e alternativas
Entretanto, Delmondes alerta que, em algumas unidades de saúde do SUS, ainda faltam equipamentos necessários para a aplicação de resinas compostas, o que faz do amálgama uma opção viável em áreas com infraestrutura limitada. As resinas, que estão se tornando o padrão nos consultórios privados, são mais estéticas e seguras, mas sua durabilidade depende da qualidade da aplicação. A troca de restaurações deve ser considerada apenas em casos de infiltração ou fratura, não por questões estéticas.
Conclusão
A medida representa um avanço significativo na saúde bucal e na proteção ambiental, com a expectativa de que, até 2030, o Brasil possa reduzir significativamente o uso de amálgama, alinhando-se a práticas mais sustentáveis.
Notícia feita com informações do portal: www1.folha.uol.com.br










