Bolsonaro não quer Cristina

O vazamento das anotações de Flávio Bolsonaro sobre o cenário eleitoral de 2026 no Paraná funcionou como um balde de água fria em narrativas que vinham sendo construídas nos bastidores. O registro é direto: ao lado do nome de Filipe Barros, a orientação é inequívoca — “Só apoiamos ele”.

Foto: RPC

Em política, poucas frases têm efeito tão definitivo. A escolha está feita, o palanque está delimitado e o recado foi dado sem rodeios.

Na outra ponta, Cristina Graeml surge citada como fator que “atrapalharia Filipe”. Não como alternativa, nem como possibilidade complementar, mas como obstáculo. Uma distinção que fala por si.

O episódio desmonta a estratégia ensaiada na eleição para prefeito de Curitiba, quando uma ligação telefônica de Jair Bolsonaro foi utilizada para sustentar a imagem de proximidade e apoio político. Funcionou naquele momento como narrativa. O problema é que narrativa não resiste quando confrontada por registros de bastidor.

Com as anotações agora públicas, fica mais difícil repetir a tentativa de vender um apoio que, ao que tudo indica, nunca existiu de fato. Se antes era possível alimentar a dúvida, hoje a própria escrita tratou de esclarecê-la.

E, diante disso, qualquer nova tentativa de reivindicar esse espaço corre o risco de não soar como articulação política — mas como insistência em uma versão que os bastidores já trataram de negar.