Bolsonaro revela que delegado da PF favoreceu posse ilegal de arma em casa


Ex-presidente afirma que arma foi devolvida por policial durante prisão domiciliar; militar foi indiciado

Bolsonaro revela que delegado da PF favoreceu posse ilegal de arma em casa
Jair Bolsonaro em depoimento à Polícia Civil do DF sobre posse de arma — Foto: REUTERS/Diego Herculano

Bolsonaro revelou em depoimento que um delegado da PF autorizou manter uma arma em sua residência durante prisão domiciliar, expondo falhas na operação e a atuação controversa da corporação.

O ex-presidente Jair Bolsonaro revelou em depoimento à Polícia Civil do Distrito Federal que um delegado da Polícia Federal permitiu que ele mantivesse uma arma em sua residência mesmo após o cumprimento de mandado de busca e apreensão durante sua prisão domiciliar. A declaração está no relatório final da investigação sobre a apreensão de uma pistola Glock registrada em nome do ex-presidente durante uma blitz em Brasília, episódio que levou ao indiciamento do militar que conduzia a apreensão.

Segundo o relato de Bolsonaro, quando a PF cumpriu o mandado em sua casa — já sob medidas cautelares e prisão domiciliar — todas as armas foram apreendidas, mas ele solicitou ao delegado que deixasse ao menos uma arma para defesa do imóvel, pois morava com mulheres. O delegado, após conversar ao telefone, teria autorizado que a arma fosse devolvida.

A Polícia Civil do DF não encontrou indícios de crime por parte de Bolsonaro na posse da arma, registrando que a arma não foi recolhida e seu registro não foi restringido, o que evidencia uma falha grave na execução das medidas legais. Por outro lado, o militar Estácio Leite da Silva Filho foi indiciado por portar arma registrada em nome de terceiro sem autorização, contrariando o Estatuto do Desarmamento.

O caso ganhou destaque após o militar ser parado numa blitz em Taguatinga dirigindo veículo oficial da Presidência, portando a pistola que estava registrada em nome de Bolsonaro. O militar afirmou que a arma estaria em sua atividade funcional, porém não havia registro adequado no sistema, e admitiu que a pistola fora entregue para reparo.

Este episódio expõe uma leniência da Polícia Federal, que deveria agir com rigor diante da aplicação da lei, mas revela um tratamento diferenciado ao ex-presidente, mesmo após condenações e prisão preventiva decretadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF). O caso levanta dúvidas sobre o respeito às medidas legais e a integridade das instituições diante das pressões políticas que envolvem figuras de alta notoriedade.


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