Bolsonaro convoca manifestação neste domingo e testa fidelidade na Avenida Paulista


Bolsonaro convoca manifestação na Avenida Paulista neste domingo (29/6), às 14h, marcando sua sexta mobilização de rua desde que deixou a Presidência. O objetivo principal é avaliar tanto o poder de mobilização dos bolsonaristas quanto a lealdade dos aliados, em um momento em que o Supremo Tribunal Federal (STF) avança no julgamento da possível trama golpista atribuída ao ex-presidente.

Foto: Reprodução internet

Redução do apoio entre governadores

Em abril, sete governadores de cinco partidos diferentes encontraram-se com Bolsonaro no Palácio dos Bandeirantes, mostrando apoio aberto à causa bolsonarista. Para o protesto deste domingo, apenas quatro governadores estão confirmados: Tarcísio de Freitas (SP, Republicanos), Romeu Zema (MG, Novo), Jorginho Mello (SC, PL) e Cláudio Castro (RJ, PL). Desses, apenas Tarcísio terá discurso no palanque.

Queda na participação popular

De acordo com o Monitor do Debate Político do Cebrap/USP, o ato deste domingo reflete uma queda drástica na adesão popular: de 185 mil manifestantes em fevereiro de 2024 para 44.900 em abril de 2025 — redução de cerca de 75%. Outros eventos registraram:

  • Copacabana (21/4): 32.700

  • Paulista (7/9/24): 45.400

  • Rio de Janeiro (16/3/25): 18.300

O clima de menor entusiasmo pode ser decisivo para avaliar o vigor do movimento.

Slogan e diretrizes do protesto

Com o lema “Justiça Já”, o ato romperá o silêncio midiático às 13h, com transmissão pelo Metrópoles no YouTube. Além de exaltar a esperança, Bolsonaro pretende jogar duro contra o Judiciário, alegando que “ninguém tem dúvida de que eu sou o alvo”. A live pré-evento contou com participação de Gustavo Gayer (PL-GO), que apresentou dados para reforçar a narrativa de perseguição política pelo STF.

Censura digital na mira

Outro alvo é o recente veredicto do STF que declarou inconstitucional o artigo 19 do Marco Civil da Internet. A norma feria plataformas digitais por conteúdos, o que aliados de Bolsonaro classificam como censura. O tema promete estar em destaque nos discursos do palanque.

Pressão sobre a delação de Mauro Cid

A delação do ex-ajudante de ordens, Mauro Cid, também inspirará ataques. O pastor Silas Malafaia chama as decisões do ministro Alexandre de Moraes de “cortinas de fumaça”, alegando que prejudicam os denunciados. Questionamentos sobre inconsistências nos depoimentos são um dos principais pontos investigados por aliados de Bolsonaro.

Quem tomará o microfone?

Oradores confirmados
Jair Bolsonaro — ex‑presidente
Tarcísio de Freitas — SP
Flávio Bolsonaro — senador (RJ)
Michelle Bolsonaro — ex‑primeira‑dama
Altineu Côrtes (PL‑RJ)
Bia Kicis (PL‑DF)
Caroline de Toni (PL‑SC)
Gustavo Gayer (PL‑GO)
Luciano Zucco (PL‑RS)
Marco Feliciano (PL‑SP)
Nikolas Ferreira (PL‑MG)
Magno Malta (PL‑ES)
Sóstenes Cavalcante (PL‑RJ)
Valdemar Costa Neto — presidente do PL
Silas Malafaia — pastor
Michelle Bolsonaro — apresenta ato

Com um elenco de peso, o evento busca reforçar a narrativa de que Bolsonaro ainda possui base leal e força de mobilização.

Estratégia de imagem e pressão

A transmissão ao vivo do evento tem função estratégica: reforçar a mensagem e alcançar os apoiadores online.

Para o ex-presidente, o ato representa uma chance de pressionar o STF, consolidar a narrativa de “perseguição” e manter a visibilidade nacional para o discurso político conservador.

Oportuna ou esvaziada?

A atual queda na adesão populacional colocará em xeque a capacidade de Bolsonaro de ocupar ruas e pautar debates públicos. Um desempenho abaixo das expectativas pode minar sua influência e reduzir o impacto político do movimento “Justiça Já”.

Conflito entre Judiciário e ruas

O evento promete intensificar a tensão entre o Judiciário e o bolsonarismo, testando até onde os líderes de direita manterão apoio público. O sucesso ou fracasso desta convocação pode ser decisivo para o futuro político de Bolsonaro e seu entorno.

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