Bolsonaro agradece apoio de Trump, mas pede urgência para “resgatar a normalidade”

Ex-presidente diz que o Brasil precisa reagir diante de perseguições e vê no gesto de Trump um sinal contra o autoritarismo

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) reagiu na quinta-feira (9) ao gesto de solidariedade de Donald Trump, ex-presidente dos Estados Unidos, que saiu em sua defesa diante das investigações em andamento no Brasil. Bolsonaro agradeceu o apoio de Trump e usou suas redes sociais para pedir que os Poderes brasileiros ajam com urgência para restaurar a “normalidade institucional”, alegando que o país vive um período de perseguição política e ameaça à democracia.

apoio de Trump

A declaração veio após Trump divulgar uma carta ao governo brasileiro, em que classificou os processos contra Bolsonaro como uma “caça às bruxas”. Foi a primeira manifestação pública de Bolsonaro sobre o tema desde que a mensagem de Trump repercutiu internacionalmente.

Sinal de aliança internacional

Em postagem no X (antigo Twitter), Bolsonaro escreveu: “Peço aos Poderes que ajam com urgência apresentando medidas para resgatar a normalidade institucional. Ainda é possível salvar o Brasil.” O ex-presidente disse conhecer a “firmeza e a coragem” de Donald Trump e afirmou que a perseguição não se limita a ele, mas se estende a milhões de brasileiros que, segundo ele, defendem a liberdade.

“Essa caça às bruxas — termo usado pelo próprio Trump — não é apenas contra mim. É contra milhões de brasileiros que lutam por liberdade e se recusam a viver sob a sombra do autoritarismo. Conheço a firmeza e a coragem de Donald Trump na defesa desses princípios”, completou Bolsonaro, reforçando a importância do apoio de Trump em sua narrativa política.

Críticas à política externa de Lula

A manifestação de Bolsonaro também incluiu críticas à condução da política externa do governo Lula. Para ele, as novas sanções econômicas impostas por Trump ao Brasil seriam resultado direto do “afastamento do Brasil dos seus compromissos históricos com a liberdade, o Estado de Direito e os valores que sempre sustentaram nossa relação com o mundo livre”.

Embora evite criticar diretamente os Estados Unidos, Bolsonaro defendeu que tais medidas jamais teriam ocorrido sob seu comando. “Respeito e admiro o governo americano. Essas ações são resposta à guinada ideológica que o Brasil tomou recentemente”, afirmou.

Estratégia política e riscos calculados

Nos bastidores, aliados do ex-presidente enxergam na crise diplomática uma oportunidade para reposicioná-lo no debate público e nacionalizar o embate contra o Supremo Tribunal Federal (STF). O apoio de Trump é visto como uma chancela simbólica que fortalece Bolsonaro junto à sua base conservadora e reforça a narrativa de que ele estaria sendo perseguido por suas convicções políticas.

Além disso, há a expectativa de que o gesto de Trump mobilize setores do Congresso Nacional mais simpáticos ao ex-presidente, além de desgastar a imagem do governo Lula no campo internacional, especialmente junto a setores empresariais preocupados com o impacto das tarifas.

Por outro lado, o movimento não está isento de riscos. Caso o gesto não gere repercussões práticas — como uma reversão das tarifas ou pressão real sobre o Judiciário —, Bolsonaro pode se ver ainda mais isolado, especialmente se o STF avançar com punições administrativas e judiciais nos processos em andamento.

Liberdade em xeque

No centro da narrativa bolsonarista, está a defesa das liberdades individuais e institucionais. “O que está em jogo é a liberdade de expressão, de imprensa, de consciência e de participação política”, afirmou Bolsonaro. O discurso, que ecoa bandeiras tradicionais da direita, busca transformar a crise em oportunidade para rearticular sua imagem como defensor das instituições democráticas.

Enquanto isso, o Planalto adotou tom cauteloso. Em nota durante a cúpula do Brics, o presidente Lula afirmou que o Brasil é um país soberano e não aceita “interferência ou tutela de quem quer que seja”.

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