Bolsa avança 1,3% impulsionada pela alta do petróleo e tensão internacional


Ibovespa atinge maior nível em quase quatro meses enquanto dólar recua com sinais de possível corte de juros

Bolsa avança 1,3% impulsionada pela alta do petróleo e tensão internacional
Sede da Petrobras, destaque na alta do Ibovespa — Foto: Amanda Perobelli

Apesar das turbulências globais, a bolsa brasileira sobe 1,3% e alcança maior patamar em quase quatro meses, impulsionada pela valorização do petróleo e tensão geopolítica entre EUA e Irã.

A bolsa brasileira subiu 1,3% nesta terça-feira (1º), atingindo o maior nível em quase quatro meses, em meio à valorização internacional do petróleo e à escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã. O Ibovespa fechou aos 179.722,48 pontos, superando a marca de 181 mil durante o pregão, algo não registrado desde 12 de maio. A alta refletiu o protagonismo das ações da Petrobras, que avançaram mais de 4%, impulsionadas pelo aumento do preço médio do querosene de aviação e pelo recorde na produção nacional de petróleo, que alcançou 4,5 milhões de barris por dia em julho, segundo a ANP.

O dólar comercial acompanhou o movimento contrário, caindo 0,54% para R$ 5,153. A queda da moeda americana reflete o enfraquecimento diante das divisas de países emergentes e a perspectiva de que o Banco Central possa reduzir a taxa Selic, hoje em 14% ao ano, após dados do PIB mostrarem desaceleração da economia no segundo trimestre. O resultado econômico mais fraco reforça expectativas de cortes no juro básico, o que reduz a atratividade do Brasil para investidores estrangeiros.

No cenário internacional, a escalada da crise entre Estados Unidos e Irã elevou os preços do petróleo. O barril tipo Brent fechou em US$ 94,65, alta de 4,6%, enquanto o WTI do Texas avançou 5,2%, fechando em US$ 90,22. A tensão no Oriente Médio reacende temores sobre o fornecimento global da commodity, especialmente pelo Estreito de Ormuz, rota crucial para o petróleo mundial.

Enquanto o mercado brasileiro se beneficia desse ambiente, o exterior vive uma dinâmica oposta. O índice S&P 500 de Wall Street recuou 0,71%, refletindo o aumento dos rendimentos dos títulos públicos dos EUA e a aversão ao risco geral. O dólar norte-americano se fortaleceu contra moedas de economias avançadas, mas perdeu terreno perante divisas emergentes.

A movimentação dos investidores no Brasil mostra também uma saída líquida de capital estrangeiro, com quase R$ 18,6 bilhões retirados em agosto até o dia 28, e R$ 130 milhões na última sessão do mês. Mesmo assim, a valorização do Ibovespa demonstra que, diante da volatilidade global, o mercado brasileiro busca oportunidades, sobretudo no setor de energia e commodities.

Alta do petróleo e impacto direto na Petrobras

A valorização do petróleo impulsionou fortemente as ações da Petrobras, que reagiram com ganhos acima de 4% tanto nas ações preferenciais quanto nas ordinárias. O anúncio do aumento de 13,9% no preço médio do querosene de aviação reforça a expectativa de resultados positivos para a estatal, que segue como peça-chave do mercado financeiro brasileiro.

Perspectivas econômicas e política monetária

O PIB brasileiro cresceu 0,5% no segundo trimestre, desacelerando em relação ao primeiro trimestre, quando avançou 1,1%. Essa perda de ritmo da economia, marcada pela retração do consumo das famílias e menor dinamismo industrial, reforça a expectativa de cortes na taxa Selic pelo Banco Central. Essa sinalização pressiona o dólar para baixo e influencia a dinâmica dos investimentos no país.

Contraste com o mercado internacional

Enquanto o Brasil se beneficia do cenário de commodities e tensão geopolítica, os mercados americanos enfrentam turbulências causadas pelo aumento dos rendimentos dos títulos do Tesouro e perspectivas econômicas incertas. Esse contraste evidencia a complexidade do ambiente global, onde riscos geopolíticos e políticas monetárias divergentes impactam de formas distintas as bolsas pelo mundo.


Veja também

Arábia Saudita expõe agressão iraniana e EUA emitem alerta em Ormuz

A Arábia Saudita denuncia o Irã por atacar o petroleiro Sidr em Ormuz, aumentando a …

Assessores de Trump travam escalada com Irã para salvar eleições

Assessores de Trump buscam evitar escalada da guerra com Irã até as eleições de novembro …

Fragmentação de Dados Exige Governança Rígida para Decisões com IA

Com a explosão da inteligência artificial, a dispersão dos dados virou um problema grave para …

Trump provoca: quer renomear Estreito de Ormuz para ‘Estreito Trump’

Donald Trump propõe renomear estrategicamente vital Estreito de Ormuz para ‘Estreito Trump’ em meio a …

Paraná usa IA para prender 1,3 mil suspeitos e reduzir crimes

O sistema com inteligência artificial ‘Olho Vivo’ já contribuiu para 1.300 prisões e recuperou 557 …

Nvidia prepara gasto bilionário para controlar plataforma-chave da IA

Nvidia negocia compra de startup Hugging Face por até US$ 14 bilhões, buscando consolidar seu …

Últimas Notícias

Arábia Saudita expõe agressão iraniana e EUA emitem alerta em Ormuz

A Arábia Saudita denuncia o Irã por atacar o petroleiro Sidr em Ormuz, aumentando a escalada de…

Assessores de Trump travam escalada com Irã para salvar eleições

Assessores de Trump buscam evitar escalada da guerra com Irã até as eleições de novembro para…

Fragmentação de Dados Exige Governança Rígida para Decisões com IA

Com a explosão da inteligência artificial, a dispersão dos dados virou um problema grave para as…

Trump provoca: quer renomear Estreito de Ormuz para ‘Estreito Trump’

Donald Trump propõe renomear estrategicamente vital Estreito de Ormuz para ‘Estreito Trump’ em meio…

Paraná usa IA para prender 1,3 mil suspeitos e reduzir crimes

O sistema com inteligência artificial ‘Olho Vivo’ já contribuiu para 1.300 prisões e recuperou 557…