Bancos privados travam socorro bilionário ao BRB e ameaça levar disputa ao STF


Resistência do setor privado emperra garantia de empréstimo de R$ 6,6 bilhões ao Banco de Brasília, que avalia nova intervenção do Supremo

Bancos privados travam socorro bilionário ao BRB e ameaça levar disputa ao STF
Banco de Brasília enfrenta resistência de bancos privados para garantir empréstimo bilionário — Foto: Adriano Machado

Sociedade de bancos privados trava operação fundamental para socorrer o BRB, que enfrenta rombo estimado em R$ 8,8 bilhões e pressão do Banco Central. Governo do DF vê nova possibilidade de recorrer ao STF para destravar o empréstimo de R$ 6,6 bilhões.

Quase 45 dias após um acordo costurado no Supremo Tribunal Federal (STF), os bancos privados resistem a consolidar a operação que garantiria um empréstimo vital de R$ 6,6 bilhões para salvar o Banco de Brasília (BRB). A negociação, que envolve o governo do Distrito Federal (DF) e o Fundo Garantidor de Crédito (FGC), esbarra na falta de consenso das instituições financeiras privadas, sobretudo Bradesco e Itaú.

Esses bancos passaram a exigir que as estatais Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal ofereçam garantias diretamente, movimento considerado inviável pelo governo federal, que teme o impacto nas finanças das instituições públicas. Sem o aval dos bancos privados, a garantia da operação, que deveria ser respaldada pelo consórcio privado e pelos fundos de participação do DF, não decola.

Na audiência de conciliação realizada em 28 de maio no STF, ficou firmado que o empréstimo seria garantido por um sindicato de bancos públicos e privados, com contragarantia proveniente das receitas do Fundo de Participação dos Estados (FPE) e dos Municípios (FPM). No entanto, esse cenário enfrenta agora uma séria ameaça de ruptura.

O atraso na formalização do contrato já gerou consequências diretas: o BRB acumula multas diárias da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que totalizam R$ 2,5 milhões pela demora na divulgação do balanço de 2025 — cuja estimativa de prejuízo chega a R$ 8,8 bilhões, resultado da crise desencadeada pelas operações fraudulentas ligadas ao Banco Master.

O impasse pressiona ainda mais a instituição, que vê suas ações desvalorizarem cerca de 21% desde o anúncio do acordo. A expectativa inicial era formalizar o empréstimo até 20 de junho, prazo que foi estendido até 31 de julho, mas a falta de consenso indica que a situação pode se estender.

Diante da resistência dos bancos privados, a direção do BRB cogita acionar novamente o ministro Luiz Fux, responsável pela conciliação anterior, para tentar destravar a operação. Enquanto isso, partidos de oposição no Distrito Federal ingressam com Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) no Tribunal de Justiça local contra a lei que autoriza a capitalização do banco pelo governo, acusando a medida de transferir os custos da crise para a população e questionando sua compatibilidade legal.

A crise no BRB escancara o desgaste do modelo atual de gestão financeira estatal e a complexidade das negociações entre entes públicos e bancos privados, além de acender um alerta político para o governo do DF, que enfrenta pressão tanto na esfera judicial quanto no mercado financeiro para resolver o rombo bilionário e garantir a estabilidade da instituição.


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