Copom sinaliza cautela diante de riscos externos e inflação ainda acima da meta

Banco Central reduz taxa Selic em 0,25 ponto percentual, para 13,75% ao ano, mantendo incertezas sobre próximos ajustes devido a riscos externos e inflação acima da meta.
O Banco Central do Brasil, por meio do Comitê de Política Monetária (Copom), reduziu nesta quarta-feira (16) a taxa básica de juros, a Selic, em 0,25 ponto percentual, passando de 14% para 13,75% ao ano. Esta é a quinta redução consecutiva da taxa, conforme previsto pelo mercado e aprovada por unanimidade entre os membros do Copom.
No comunicado oficial, o Comitê destacou que, apesar do novo corte, os próximos passos da política monetária permanecem em aberto. O cenário atual de elevada incerteza exige serenidade e cautela na condução da política de juros, com a magnitude total do ciclo de calibração a ser definida conforme novas informações, visando garantir a convergência da inflação à meta estabelecida.
O Copom ressaltou que o ambiente externo permanece incerto, especialmente devido aos conflitos armados no Oriente Médio e à indefinição sobre a política monetária em economias avançadas. Essa conjuntura aumenta a volatilidade nos preços de ativos e commodities, exigindo prudência de países emergentes como o Brasil.
Internamente, os indicadores apontam para uma moderação gradual da atividade econômica, principalmente nos setores cíclicos, embora a economia ainda apresente resiliência. O mercado de trabalho continua aquecido. A inflação medida pelo IPCA desacelerou, ficando abaixo do limite superior do intervalo de tolerância, mas ainda acima da meta oficial para 2026.
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou recentemente que o IPCA apresentou deflação de 0,32% em agosto, a primeira queda mensal em um ano, devido à redução nos preços da energia elétrica, alimentos e combustíveis. Em 12 meses, a inflação acumulada é de 4,22%, ligeiramente abaixo do teto da meta, que é de 4,5%.
Entretanto, o Copom alertou que os riscos para a inflação permanecem elevados e com tendência de alta. Entre eles, destacam-se possíveis efeitos de choques de oferta relacionados a petróleo, impactos climáticos na agricultura e energia, maior rigidez na inflação de serviços, influência de políticas econômicas internas e externas e estímulos à demanda que possam superar o produto potencial.
Por outro lado, o Comitê também reconhece riscos de baixa, como uma desaceleração econômica doméstica mais forte que o esperado, uma desaceleração global acentuada e redução nos preços de commodities.
O Copom reforçou que acompanhará de perto os desdobramentos da política fiscal e seus efeitos sobre ativos financeiros, mantendo uma postura de cautela frente às incertezas.
A decisão de reduzir a Selic para 13,75% ao ano foi tomada com o objetivo de garantir a estabilidade de preços, suavizar as flutuações da atividade econômica e fomentar o pleno emprego. O comitê destacou que a política monetária seguirá sendo calibrada conforme novas informações, para assegurar a convergência da inflação à meta.
Votaram pela decisão os membros: Gabriel Muricca Galípolo (presidente), Ailton de Aquino Santos, Gilneu Francisco Astolfi Vivan, Izabela Moreira Correa, Nilton José Schneider David, Paulo Picchetti e Rodrigo Alves Teixeira.










